Os amantes de One Piece terão a oportunidade nostálgica de conferir nos cinemas e com uma versão inédita dublada em português o filme One Piece – O Grande Pirata do Ouro, média-metragem de 50 minutos lançado originalmente no Japão em 2000 e que estreia em 17 de setembro. E para os que ainda não conhecem a saga, é uma ótima oportunidade de adentrar no universo deste mangá que conquista o mundo desde o seu primeiro lançamento em 1997 e a série de anime com lançamentos regulares desde 1999.
Neste filme, acompanhamos o pirata Luffy e sua tripulação inicial, formada por Nami, Zoro e Usopp em uma aventura atrás do lendário tesouro perdido de Woonan, um pirata que sumiu misteriosamente, mas não antes de acumular uma grande quantidade de riquezas que atrai piratas de todo o mundo. Aqui, o grande vilão é Eldorago, um gigantesco pirata com feições felinas que quer a todo custo colocar as mãos no tesouro.
A nostalgia de assistir a este filme no cinema se dá desde a estética e estilo da animação até o ritmo da narrativa. Diferentemente do anime moderno, o filme foi feito utilizando uma técnica chamada Cel Animation, que consiste em células de acetato pintadas à mão, com quadros fotografados sobre cenários físicos. Atualmente, o anime é feito de forma totalmente digital em alta resolução. Outras características que tornam o filme visualmente muito interessante são as cores vibrantes e os traços com ligeiras imperfeições, dado a este processo artesanal. O uso da elasticidade e da comédia física (slapstick), tão característica dos animes desta época estão presentes. Fica, desde o início, muito clara a semelhança dos traços com o mangá inicial. O movimento fluido tradicional (sakuga) dos efeitos de ação também torna a experiência criada especialmente para o cinema um grande diferencial desta produção.
A dublagem brasileira é uma pérola à parte. Trazendo os atuais dubladores da série de anime disponível na Netflix (Carol Valença como Luffy, Glauco Marques como Zoro, Tatiane Keplmair, Adrian Tatini como Usopp) o filme conta com adaptações extremamente pertinentes e engraçadas para o nosso contexto, sem descaracterizar a história original. Há aqui um trabalho inédito para a estreia em cinemas brasileiros, uma vez que o filme ainda não tem.
Outra curiosidade interessante do lançamento diz respeito a assistirmos antes do início do filme em si a um pequeno curta-metragem com os personagens principais da saga, intitulado “Carnaval de Dança do Jango”. Trata-se de um curta musical que conta com o protagonismo de Jango, um personagem claramente com inspirações do universo pop, como a homenagem direta a Michael Jackson, além da ambientação na ilha Mirrorball, que nada mais é do que uma discoteca gigante com um globo espelhado formando a sua atmosfera. Esta exibição casada dos dois filmes se dá por uma característica de lançamento à época, no Japão. Quando lançado em 2000, o filme fazia parte do chamado Toei Anime Fair, uma espécie de festival em que a produtora promovia a exibição de animes curtos nas sessões de cinema além dos filmes principais. Assim, o formato e as exibições originais foram mantidos conjuntos também aqui no Brasil.
Por ser um filme curto, a narrativa é mais direta e bem aceita como uma forma de introdução ao imenso universo de One Piece. Há elementos de desenvolvimento que passam despercebidos aos novos apreciadores, mas que são bastante visíveis aos já fãs consolidados. E para todos, fãs de longa data ou novos, há divulgado um calendário com mais dois outros filmes do universo previstos ainda para este ano.
One Piece – Aventura na Ilha Espiral e One Piece – O Reino de Chopper na Ilha dos Animais Estranhos têm, respectivamente, previsão de lançamento em 22 de outubro e 3 de dezembro de 2026. Conferir estas estreias no cinema traz um valor agregado à história, que permite a apreciação em tela grande e um retorno a uma época de produção em que a criação mais manual proporciona características únicas e que engrandecem os momentos do espectador diante do filme.
Crítica por Bianca Rolff.










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