Pretensioso e incapaz de sustentar a própria sátira.
Em um longa que diz ser sobre apatia sexual e puritanismo, Gregg Araki nos apresenta o jovem Elliot, um novato que consegue um emprego para a renomada artista e provocadora Erika Tracy, que o convoca para se tornar sua musa sexual. No entanto, Elliot logo se vê fora de seu alcance quando a artista o leva em uma jornada mais profunda do que ele jamais havia imaginado, em um mundo de sexo, obsessão, poder e traição.
Araki constrói uma história em torno desses assuntos que oferecem inúmeras possibilidades para uma sátira mordaz. Mas colocar personagens em situações extremas, recorrer ao humor sexual e exagerar os comportamentos não significa, por si só, produzir uma crítica afiada. O filme constantemente apresenta ideias que parecem prometer uma reflexão mais incisiva, mas nem sempre desenvolve suas implicações.

A relação entre os protagonistas poderia explorar com mais complexidade as contradições do desejo, enquanto a sátira do meio artístico poderia ir além do absurdo das situações. Em certos momentos, fica a impressão de que o longa espera que a própria ousadia seja suficiente para gerar humor ou significado. A obra trabalha com cores vibrantes, sexualidade explícita e situações deliberadamente exageradas, mas em torno de um roteiro morno que prioriza sua tentativa de provocação ao invés da complexidade narrativa.
O resultado pode parecer uma obra que quer ser transgressora sem conseguir transformar a transgressão em uma ideia cinematográfica realmente potente. I Want Your Sex não fracassa necessariamente por não ter nada a dizer, mas porque suas tentativas de sátira parecem mais interessadas em anunciar a própria irreverência do que em desenvolver um olhar verdadeiramente incisivo sobre o que pretende criticar. É possível reconhecer a proposta e, ainda assim, sentir que falta algo por trás de tanto barulho.

Olivia Wilde sustenta bem o sua personagem com seu carisma e sua presença magnética, mesmo quando o roteiro não lhe oferece material à altura. Cooper Hoffman também merece reconhecimento por sua atuação, construindo um contraponto convincente à intensidade de Wilde e encontrando nuances em um personagem que poderia facilmente se reduzir à ingenuidade e ao desconcerto. A química entre os dois oferece ao filme alguns de seus momentos mais envolventes, mas nem mesmo o talento da dupla consegue compensar as fragilidades do roteiro.

Em suma, o filme parece confundir ousadia com irreverência, apostando em situações extremas e no apelo sexual sem desenvolver um olhar suficientemente afiado sobre os temas que aborda. Por trás de tanta tentativa de chocar, sobra pouco a dizer, e a comédia acaba tão vazia quanto sua sátira é ineficaz.
★★☆☆☆
Crítica por Pedro Gomes.
Filme assistido no 28º Festival do Rio

I Want Your Sex
Estados Unidos, 2026, 90min.
Direção: Gregg Araki
Roteiro: Karley Sciortino, Gregg Araki
Elenco: Olivia Wilde, Cooper Hoffman, Mason Gooding
Produção: Seth Caplan, Teddy Schwarzman, Michael Heimler
Direção de Fotografia: Tucker Korte
Música: James Clements
Classificação: 18 anos











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