Supergirl - Warner Bros. Pictures (2026) | Imagem: Reprodução TMDB

Crítica | Supergirl

Milly Alcock entrega a melhor e mais divertida versão de Kara Zor-El

Depois de uma breve apresentação em Superman, Kara Zor-El finalmente assume o centro do palco em Supergirl. Dirigido por Craig Gillespie e estrelado por Milly Alcock, o longa aposta em uma versão da heroína bem diferente daquela que costuma aparecer nas animações e séries: mais impulsiva, divertida, sem se importar com muita coisa e cheia de frustrações. Como kryptonianos não sentem os efeitos do álcool sob um sol amarelo, Kara viaja para um planeta com um sol vermelho, onde seus poderes ficam enfraquecidos e ela finalmente consegue ficar bêbada. Com isso, ela encontra no álcool uma forma de esquecer, ainda que por algumas horas, todo o peso emocional que carrega por ter testemunhado a destruição de Krypton e a morte de sua família. Apesar de parecer um pouco sombrio, o filme não usa a bebida como uma piada isolada. Ela funciona como uma forma de mostrar que essa Supergirl é diferente do Superman. Enquanto Clark chegou à Terra ainda bebê, Kara lembra de tudo, e no início da história, essa é a forma que ela encontra para comemorar seu aniversário e anestesiar essa dor.

Milly Alcock carrega a produção nas costas com uma atuação cheia de personalidade. A ideia de uma Supergirl que busca planetas com sóis vermelhos para poder beber poderia soar apenas como uma curiosidade de roteiro, mas acaba se tornando um dos aspectos mais divertidos da personagem. Alcock encontra o tom certo entre humor, irresponsabilidade e vulnerabilidade, transformando Kara em alguém muito mais interessante do que a maioria dos heróis tradicionais.

Supergirl – Warner Bros. Pictures (2026) | Imagem: Reprodução TMDB

A jovem Ruthye Marye Knoll, interpretada por Eve Ridley, funciona bem como parceira de jornada e como motor emocional da trama, mas dificilmente rouba a atenção. Sua presença é importante para a história avançar, porém o filme deixa claro desde cedo quem é o verdadeiro foco da narrativa. Ruthye cumpre seu papel, enquanto Kara domina praticamente todas as sequências em que aparece.

“Supergirl” também marca a estreia do anti-herói Lobo nos cinemas, interpretado por Jason Momoa. Ele aparece menos do que muitos espectadores provavelmente gostariam, mas faz valer sua participação. O personagem chega causando impacto e imediatamente altera a dinâmica do filme. A personalidade explosiva de Lobo combina perfeitamente com a versão desajustada da Supergirl apresentada aqui, e a dupla teria potencial para render algumas das melhores cenas do universo da DC caso dividisse mais tempo em tela.

Supergirl – Warner Bros. Pictures (2026) | Imagem: Reprodução TMDB

O roteiro, por outro lado, tem dificuldades para sustentar o que constrói na primeira metade. O início funciona justamente porque parece disposto a seguir caminhos menos óbvios, apesar da premissa não ser nada criativa. A aventura espacial tem um charme próprio, os personagens apresentam conflitos interessantes e existe uma sensação de imprevisibilidade. O problema é que, conforme a história avança, o longa começa a abandonar parte dessa criatividade para abraçar soluções cada vez mais familiare, como se o filme perdesse a confiança no próprio ritmo. Em vez de levar suas ideias mais longe, o roteiro opta por caminhos seguros, como se tivesse receio de se afastar do que o público já conhece. É justamente aí que parte do frescor inicial se perde.

Tecnicamente, o resultado é misto. A fotografia, mais fria, escura e acinzentada, combina bastante com o estado emocional da protagonista e ajuda a diferenciar o filme visualmente. Já a trilha sonora raramente encontra a mesma sintonia. Em vários momentos ela parece pertencer a outro projeto, se desconectando da trama.

Supergirl – Warner Bros. Pictures (2026) | Imagem: Reprodução TMDB

No fim, Supergirl funciona principalmente graças à força de sua protagonista. Milly Alcock entrega uma versão divertida, imperfeita e extremamente carismática da heroína, capaz de sustentar até os momentos em que o roteiro se perde nos clichês. Embora o filme perca parte da ousadia que demonstra no começo e termine mais convencional do que deveria, ele ainda deixa uma impressão positiva e, acima de tudo, faz crescer a vontade de ver Milly retornando para aventuras ainda mais ambiciosas.

 

Crítica por Pedro Gomes.

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Supergirl
Estados Unidos, 2026, 108min.
Direção: Craig Gillespie
Roteiro: Ana Nogueira
Elenco: Milly Alcock, Eve Ridley, Matthias Schoenaerts
Produção: James Gunn, Peter Safran
Direção de Fotografia: Rob Hardy
Música: Claudia Sarne
Classificação: 12 Anos

Distribuição: Warner Bros. Pictures

 

 

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