Baby Consuelo além das manchetes: um retrato musical rico, mas excessivamente longo.
Em Apopcalipse Segundo Baby, o diretor Rafael Saar foge do caminho mais óbvio ao construir um retrato de Baby do Brasil centrado na artista, e não na figura pública cercada de polêmicas. Embora o título sugira uma abordagem voltada ao imaginário religioso que marcou os últimos anos de sua carreira, o documentário foca em sua trajetória musical.
Em conversa durante a divulgação do filme, a cantora contou que prefere dizer “aPOPcalipse” em vez de “apocalipse” para suavizar o peso da palavra e aproximá-la de algo mais leve, pop e acessível. A escolha resume bem o espírito da obra: em vez de enfatizar a figura religiosa que marcou parte de sua trajetória, o documentário resgata a artista icônica que estourou nos anos 60.

Um dos grandes acertos da obra é em ignorar o sensacionalismo e as polêmicas, focando apenas na carreira musical da artista. Em vez de transformar as controvérsias religiosas de Baby no centro da narrativa, Rafael Saar prefere investigar a importância da artista para a contracultura brasileira no quesito da música.
As imagens ajudam a contextualizar diferentes fases da carreira de Baby e funcionam como um resgate histórico de um período marcante da música brasileira. Ao lado da narração da própria cantora, esses registros constroem uma experiência envolvente, que aproxima o público da época em que a história se passa.

Apesar disso, um dos pontos negativos do longa é a dificuldade de reconhecer o momento certo de terminar. Mesmo mantendo o interesse do espectador ao longo de sua narrativa, o filme prolonga algumas ideias e insiste em repetir ideias já consolidadas na própria obra.
Ainda assim, Rafael Saar entrega um documentário fanático e hisoricamente valioso considerando a carreira musical da artista. Ao deixar as polêmicas em segundo plano, o filme lembra ao público que, antes de qualquer controvérsia, Baby do Brasil foi uma artista extremamente fora da curva.
Crítica por Pedro Gomes.
Filme assistido na 21ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto

Apopcalipse Segundo Baby
Brasil, 2026, 109min.
Direção: Rafael Saar
Roteiro: Rafael Saar
Elenco: Baby Consuelo
Produção: Maria Flor Brazil, Rafael Saar
Direção de Fotografia: Guilherme Tostes, Tiago Rios, Thais Grechi, Rafael Saar
Distribuição: Descoloniza Filmes












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