Carmen Miranda: Bananas is my Business - Mostra de Cinema de Ouro Preto | Imagem: Cortesia, Divulgação

Crítica | Carmen Miranda: Bananas is my Business [21ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto]

Um mergulho profundo na vida de uma artista quase brasileira.

Em Carmen Miranda: Bananas Is My Business, Helena Solberg apresenta a imagem de Carmen Miranda, indo muito além da figura caricata da mulher do chapéu de frutas. O documentário reúne imagens de arquivo e registros históricos para reconstruir a trajetória de uma artista que desempenhou um papel fundamental na internacionalização da cultura brasileira.

Embora tenha nascido em Portugal, foi no Brasil que ela construiu sua identidade artística, e o documentário deixa evidente que ninguém levou símbolos, músicas e elementos da cultura brasileira para um público tão amplo quanto ela. Muito antes da globalização, Carmen já era um fenômeno internacional, tornando o samba, o figurino tropical e uma determinada imagem do Brasil reconhecidos em todo o mundo.

Carmen Miranda: Bananas is my Business – Mostra de Cinema de Ouro Preto | Imagem: Cortesia, Divulgação

Helena Solberg evita transformar Carmen em uma figura perfeita. O documentário apresenta tanto o sucesso extraordinário quanto as pressões enfrentadas pela artista, especialmente durante sua carreira em Hollywood. Em vez de apenas celebrar seus feitos, o filme também mostra o preço que ela pagou por representar um país inteiro enquanto tentava atender às expectativas da indústria americana, mostrando os “hates” que ela recebia tanto dos Estados Unidos quanto do Brasil.

Funcionando como um importante registro histórico, o documentário também aproxima o espectador da época em que Carmen viveu, despertando uma reflexão interessante sobre identidade nacional. Carmen foi frequentemente criticada por brasileiros que acreditavam que ela reforçava uma visão estereotipada do país. No entanto, Helena Solberg convida o público a enxergar essas críticas sob outra perspectiva, mostrando que Carmen também foi vítima das exigências comerciais de Hollywood e que seu legado vai muito além da fantasia tropical pela qual ficou conhecida.

Carmen Miranda: Bananas is my Business – Mostra de Cinema de Ouro Preto | Imagem: Prime Video

Apesar de todas essas qualidades, o filme sofre com um problema de ritmo. A montagem faz com que algumas ideias sejam repetidas, comprometendo o envolvimento do espectador. Essa sensação faz com que o documentário pareça mais longo do que realmente é. Com uma edição mais dinâmica e objetiva, eliminando cerca de trinta minutos de material, a experiência provavelmente seria muito mais envolvente sem sacrificar a riqueza das informações apresentadas. O conteúdo é interessante do início ao fim, mas sua organização poderia ser mais eficiente.

Ainda assim, Carmen Miranda: Bananas Is My Business permanece como um documentário extremamente relevante. Helena Solberg consegue recuperar a complexidade de uma artista que tem uma grande importância histórica para a cultura brasileira.

Crítica por Pedro Gomes.

Filme assistido na 21ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto

Carmen Miranda: Bananas Is My Business
Brasil, 1995, 92min.
Direção: Helena Solberg
Roteiro: Helena Solberg
Elenco: Leticia Monte, Erik Barreto, Cynthia Adler
Produção: David Meyer
Direção de Fotografia: Tomasz Magierski

Distribuição: Radiante Filmes

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