Cena de ‘O Canto da Floresta’, de Vincent Munier, renomado fotógrafo especializado em vida selvagem foto: divulgação/ Bonfilm

Vencedor de dois César, ‘O Canto da Floresta’, de Vincent Munier, integra a programação do Festival de Cinema Francês do Brasil

ASSISTIDO POR MAIS DE 1,3 MILHÃO DE ESPECTADORES NA FRANÇA, LONGA ACOMPANHA TRÊS GERAÇÕES DE UMA FAMÍLIA PELAS FLORESTAS DOS VOSGES EM MEIO A FAUNA SELVAGEM

Vencedor de dois prêmios César 26 e aclamado por mais de 1,3 milhão de espectadores nos cinemas franceses, o documentário “O Canto da Floresta” (“Le chant des forêts”), de Vincent Munier, integra a programação da 17ª edição do Festival de Cinema Francês do Brasil, entre 29 de outubro e 11 de novembro nos cinemas de todo o país. O longa, premiado nas categorias Melhor Filme Documentário e Melhor Som, acompanha o diretor, seu pai e seu filho, em uma imersão pelas florestas dos Vosges, região onde Munier nasceu e desenvolveu, ainda na infância, seu interesse pela natureza e pela fotografia de vida selvagem. No Brasil, o filme é distribuído pela Bonfilm.

Depois de “A Pantera das Neves”, codirigido com Marie Amiguet e vencedor do César de Melhor Documentário em 2022, Vincent Munier troca o planalto tibetano pela floresta onde sua relação com a natureza começou. Ao lado do pai Michel, naturalista que passou a vida observando as matas, e do filho Simon, ele acompanha cervos, aves raras, raposas e linces, em uma história/narrativa ligada à própria trajetória de vida. A jornada une os três em torno de um conhecimento transmitido por gerações.

Ao falar sobre a produção, o cineasta explicou a escolha por uma história mais próxima de suas origens. “É um filme mais íntimo. Desta vez, não há uma expedição a um lugar distante nem qualquer exotismo, mas uma viagem pela floresta que fez de mim quem eu sou. A abordagem é mais imersiva, e a própria câmera é como uma presença quase animal, que se mistura ao ambiente em vez de dominá-lo. Queremos observar a vida selvagem, mas ela também nos observa continuamente”, afirma.

Entre os animais procurados pela família está o tetraz-grande, ave que ocupa um lugar especial na história de Michel e Vincent. Foi a partir da observação da espécie que os dois aprenderam a esperar, escutar e permanecer imóveis durante horas na floresta. Michel chegou a passar mais de mil noites sob uma árvore para acompanhar seu comportamento. Hoje desaparecido dos Vosges, o pássaro também leva o documentário a abordar as transformações do ecossistema. Vincent relaciona seu desaparecimento ao aquecimento global, à industrialização do manejo florestal e ao aumento da perturbação causada pela presença humana.

A realização de “O Canto da Floresta” também foi marcada pela espera. O filme reúne cerca de dez anos de filmagens, feitas principalmente nos arredores da fazenda onde Vincent vive, nos Vosges. Com uma equipe reduzida, sem imagens compradas, reconstituições, drones ou animais domesticados, a produção instalou microfones em pontos estratégicos da floresta para registrar os sons naturais da mata. Em muitas das sequências de paisagens e vida selvagem, Vincent estava sozinho.

A ligação retratada no filme começou muito antes de Vincent se tornar fotógrafo. Aos 12 anos, escondido sob uma cobertura de camuflagem, ele fotografou pela primeira vez um cervo. Seu filho Simon tinha a mesma idade durante as filmagens do documentário. Para o diretor, no entanto, transmitir esse contato com a natureza não significa esperar que o filho repita a trajetória do pai e do avô.

“Minha visão da transmissão não é a de uma imposição para que ele siga os nossos passos. É mais uma mão estendida, uma abertura. Como diz meu pai, ‘todos nós estamos um pouco naquilo que está desaparecendo’. Mas cada pessoa precisa escolher seu próprio caminho e deixar suas próprias pegadas”, afirma.

Além dos dois prêmios César, “O Canto da Floresta” conquistou o Prix Lumières 26 de Melhor Música, para Warren Ellis, Dom La Nena e Rosemary Standley, e recebeu Menção Especial na categoria Documentário na Festa del Cinema de Roma de 2025.

Fotógrafo e cineasta especializado em vida selvagem, Vincent Munier nasceu em Épinal, nos Vosges, em 1976, e teve o interesse pela natureza despertado ainda na infância, influenciado pelo pai. Antes de conseguir se dedicar integralmente à fotografia, trabalhou como horticultor, pedreiro e fotojornalista para financiar seus equipamentos. Incentivado pelo reconhecimento no concurso Wildlife Photographer of the Year, organizado pela BBC e pelo Natural History Museum de Londres, decidiu, em 2000, dedicar-se exclusivamente à fotografia de vida selvagem.

Ao longo da carreira, ele fotografou animais em diferentes regiões do mundo e publicou cerca de uma dezena de livros. Em 2016, no planalto tibetano, registrou o leopardo-das-neves, experiência que posteriormente deu origem a “A Pantera das Neves”, lançado em 2021. Atualmente, expõe suas fotografias em galerias da Europa e dos Estados Unidos e apoia associações dedicadas à proteção da vida selvagem.

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