Dirigido pelo curitibano Evandro Scorsin, longa mistura humor nonsense, crime e violência em uma trama sobre dois meio-irmãos envolvidos em um plano desastroso; filme passou pelo Fantaspoa e Kinoarte e esteve no Marché du Film, em Cannes.
Um malandro que sonha em abandonar a vida de pequenos golpes para viver no Havaí. Um meio-irmão devastado pelo fim de um relacionamento que durou apenas duas semanas. Um contrabandista de arte, paixões inesperadas e uma sucessão de crimes que transforma um plano aparentemente simples em uma espiral cada vez mais absurda. Esse é o ponto de partida de “Aloha, Malandro!”, comédia ácida escrita e dirigida pelo cineasta curitibano Evandro Scorsin, que estreia nos cinemas no dia 17 de setembro, produzido por O Quadro e Union Filmes, com distribuição da Lira Filmes. Confira o trailer.
O longa é protagonizado por Pruner Neto e Renet Lyon, ao lado de Giovanna Negrelli, Fernanda Souto, Brenda Sodré e Rodrigo Nossaki. Antes de chegar ao circuito comercial, o filme passou pelo 26º Festival Kinoarte, em Londrina, em 2024; pelo 21º Fantaspoa, em Porto Alegre, e pelo Djanho, em Curitiba, em 2025. Em 2026, integrou o 2º Festival Boitatá, Festival Paranaense Itinerante de Cinema de Horror, o 2º Ponta a Ponta Festival, em Ponta Grossa, e a 5ª Mostra Curitiba de Cinema, no Cine Passeio. Em 2025, o projeto também esteve no Marché du Film, em Cannes.
Em “Aloha, Malandro!”, Jairo (Pruner Neto) está sem dinheiro e obcecado pela ideia de viver no Havaí, onde imagina encontrar uma existência ensolarada, tranquila e, principalmente, sem muito trabalho. A oportunidade de financiar o sonho aparece quando seu meio-irmão Barãozinho (Renet Lyon), deprimido depois de uma separação, se envolve com Bárbara (Brenda Sodré), irmã de um contrabandista de arte. Jairo enxerga no criminoso o alvo perfeito para um golpe. O problema é que, entre novos romances, decisões ruins e assassinatos acidentais, o caminho até o paraíso começa a se parecer cada vez mais com um pesadelo.
A ideia do longa surgiu do interesse de Scorsin pelo cinema de gênero e pela possibilidade de usar e parodiar seus códigos. Antes do filme, o diretor realizou uma sequência de curtas ligados ao universo jovem, passando pela comédia adolescente em títulos como “Garota Explosiva” (2012) e “Manu Baunilha, Bia Chocolate” (2015), e pelo terror teen em “Paranoia Doce” (2018) e “Terror Noturno” (2019).
“Aloha Malandro nasce como uma espécie de encerramento desse primeiro ciclo. É um filme em que misturo esses dois universos: a comédia jovem e o terror, mas tratados de maneira paródica”, explica Scorsin.
Do sonho tropical ao caos
Mais do que um destino, o Havaí funciona no longa como projeção da fantasia de Jairo sobre uma vida sem responsabilidades. Para o diretor, há algo deliberadamente caricatural nesse imaginário do sujeito que acredita que existe, em algum lugar, um paraíso onde tudo será mais fácil.
“O Havaí representa para Jairo esse sonho idealizado de viver um verão eterno, de uma vida fácil, ensolarada e sem grandes preocupações. Existe aí uma dimensão quase caricatural de um imaginário bem brasileiro. O filme pega esse sonho idealizado e coloca esse malandro brasileiro dentro de uma narrativa completamente caótica”, diz o cineasta.
O humor parte da tradição da slapstick comedy e da screwball comedy, com situações absurdas que se acumulam em uma espécie de efeito bola de neve, além da influência da comédia nonsense de Steve Martin no início da carreira. Crime, morte e violência aparecem de forma deliberadamente exagerada, dentro do que Scorsin define como uma “cartoonização da sociedade”.
“O filme desenha uma caricatura desse imaginário violento brasileiro, deslocando situações e personagens para um universo quase de desenho animado. O humor ácido trabalha justamente nessa fronteira entre a graça e o constrangimento”, afirma.
Essa lógica também orienta a estética do longa. Mesmo diante dos temas mais pesados da trama, as cores vibrantes e a trilha sonora ajudam a criar uma atmosfera pop e exagerada. “Esses elementos são fundamentais para equilibrar o tom do filme, manter a leveza e, sobretudo, sustentar o humor absurdo.”

Uma dupla de opostos
No centro da história estão Jairo e Barãozinho, meio-irmãos com personalidades e formas de atuação praticamente opostas. Jairo fala sem parar, improvisa saídas e tenta tirar vantagem das situações. Barãozinho é extremamente dramático e atravessa o início da história abalado pelo fim de seu relacionamento com Clara.
“Jairo e Barãozinho funcionam quase como yin e yang: são opostos, mas complementares. Barãozinho é um personagem essencialmente corporal. Jairo, ao contrário, é verbal. Os dois estabelecem um equilíbrio entre a comédia verbal de Jairo e a gag física de Barãozinho”, explica Scorsin.
Jairo é interpretado por Pruner Neto, que, usando o nome artístico Arno Pruner, integrou o elenco de “Sítio do Picapau Amarelo”, da TV Globo, e atuou no longa “400 Contra 1: Uma História do Crime Organizado”, de Caco Souza. Depois de um período longe das telas, “Aloha Malandro” marca seu retorno à atuação.
Já Renet Lyon, intérprete de Barãozinho, acumula trabalhos como as séries “3%” e “Irmandade” e os longas “Jesus Kid”, de Aly Muritiba, “Entrelinhas”, de Guto Pasko, e “Estômago II: O Poderoso Chef”, de Marcos Jorge.
O elenco conta ainda com Giovanna Negrelli, que participou de produções como “Ferrugem” e “Agentes Muito Especiais”; Fernanda Souto, de “A Chave do Vale Encantado” e “Lamento”; Brenda Sodré, que integrou o elenco de “Entrelinhas” e venceu o prêmio de melhor atriz no Fest Cine Rondon em 2026 por “Amálgama”; e Rodrigo Nossaki, também no elenco de “Traição entre Amigas”, de Bruno Barreto.
O longa conta com recursos da Lei de Incentivo Municipal de Curitiba, por meio do Mecenato Subsidiado da Fundação Cultural de Curitiba e Prefeitura Municipal de Curitiba, com incentivo da Ebanx, e do Fundo Setorial do Audiovisual, através do edital dos Arranjos Regionais com a Prefeitura de Londrina. O projeto teve ainda apoio do Centro Técnico Audiovisual do Ministério da Cultura, CTAv/MinC.
Sinopse curta
Sem grana, Jairo só pensa no Havaí, idealizando uma vida sem ter que ralar muito. A brecha aparece quando seu depressivo meio-irmão, Barãozinho, se envolve com a irmã de um contrabandista de arte. Jairo vê a chance perfeita de roubar o cara e tirar seu sonho do papel. Só que ele não contava que se apaixonaria e acabaria metido acidentalmente em alguns assassinatos, transformando o plano dos sonhos num grande pesadelo.












Leave a Reply