Crítica – Twisters

Lee Isaac Chung abre mão da ação para focar em uma aventura tensa e sentimenalista.

“Twisters” conta a história de uma ex-caçadora de tempestades que, após viver um episódio traumático com um tornado, agora estuda padrões de tempestades em segurança na cidade de Nova York. Ao embarcar em uma nova jornada com seu amigo Javi para testar um novo sistema de rastreamento, ela terá que lutar novamente pela sua vida quando se vê encurralada em um ponto de convergência de múltiplas tempestades.

É difícil não sentir o peso dramático dessa trama nas mãos de Lee Isaac Chung. O trauma de Kate é explorado com bastante sutileza e a forma que Tyler age para fazê-la não superar, mas aprender com o prórpio trauma é competente. O uso de uma cinematografia naturalista e contemplativa nos dá uma imersão maior tanto da ambientação quanto da situação que está diante dos personagens. A trilha sonora foca na instrumentação minimalista, toque de Lee que também é percebido em “Minari”.

Twisters – Warner Bros Pictures (2024)

Entretanto, o longa não consegue reproduzir a tensão e angústia do filme de 1996. Aqui, optou-se mais pela aventura com tons de comédia, o que pode parecer estranho sendo que a trama gira em torno de desastres naturais. Glen Powell interpreta o galã destemido e divertido, com uma performance parecida com a de “Assassino por Acaso”. O ator tem carisma e é fácil nos convencer à assistir à um filme que tenha sua presença.

Os personagens são bem construídos, principalmente a relação entre Kate e Tyler, que é moldada com cuidado ao longo dos três atos. A duração do filme é muito bem aproveitada e é interessante percebermos a ambição dos personagens acerca do avanço na ciência meteorológica. Além desse interesse, é notável a necessidade de adrenalina que cada um deles têm, acompanhada da vontade de fazer a diferença para o máximo de pessoas possível.

Twisters – Warner Bros Pictures (2024)

A aventura vivida pelos personagens é extremamente satisfatória, não apenas pelas cenas de ação visualmente impressionantes, mas também pela empatia que criamos por cada um deles. As relações humanas são tratadas com uma sensibilidade que enriquece a narrativa, transformando a perseguição de tornados em uma metáfora para a luta interna e o crescimento pessoal, e isso pode ser evidenciado com a relação de Kate e Tyler ao longo do filme.

Os efeitos especiais são bem interessantes, proporcionando uma experiência visualmente impressionante que captura a fúria e a majestade desses fenômenos naturais. A fotografia de Dan Mindel complementa esses efeitos, oferecendo cenas dinâmicas e viscerais dos tornados em ação.

Twisters – Warner Bros Pictures (2024)

“Twisters” entrega uma experiência cinematográfica envolvente, que equilibra aventura, drama e tensão na medida certa. É um filme que vale a pena ser visto nos cinemas pela beleza da fotografia e pela imersão que a tela grande nos dá.

 

Twisters
Estados Unidos, 2024, 122 min.
Direção: Lee Isaac Chung
Roteiro: Mark L. Smith
Elenco: Daisy Edgar-Jones, Glen Powell, Anthony Ramos
Produção: Frank Marshall, Patrick Crowley
Direção de Fotografia: Dan Mindel
Música: Benjamin Wallfisch
Classificação: 12 anos
Distribuição: Warner Bros Pictures

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