Crítica – Os Estranhos: Capítulo 1 (The Strangers: Chapter 1)

Os Estranhos: Capítulo 1 é um reboot absurdamente desnecessário, uma cópia de baixa qualidade do filme original de 2008.

O longa-metragem segue a mesma premissa do primeiro filme dirigido por Bryan Bertino, repetindo várias falas, situações e ângulos. Já é considerado desnecessário executar o reboot de uma obra tão recente, e o mínimo que se espera é que esta versão supere o original, o que não ocorre aqui. Os inícios são idênticos (embora nesta versão não sejam tão bem executados e marcantes), e logo no começo é quase impossível não notar as atuações tão inferiores.

O casal principal não tem química e parece que nem tiveram tempo de gravar cada cena mais de uma vez, dando a impressão de que tudo foi feito de forma apressada e descuidada. Repetir a mesma história, sem inovar e sem trazer melhorias, é incompreensível. O “copia, mas não faz igual” fica evidente.

The Strangers: Chapter 1 – Paris Filmes (2024)

Os poucos jumpscares não são funcionais e não cumprem seu objetivo. A trama não consegue criar tensão, e uma das razões para isso é o roteiro, que além de ter diversos furos, apresenta personagens desaparecendo e reaparecendo sem explicação. Sabemos que a falta de inteligência em personagens de terror é comum, mas aqui, ambos são completamente imbecis, a ponto de termos uma cena onde o protagonista sai de um carro por ele estar quebrado e passa ao lado de um carro parado e funcionando para tentar fugir a pé.

A fotografia é medíocre, e o excesso de cenas em close-up com quebras desnecessárias da quarta parede é extremamente incômodo, conferindo um ar de amadorismo que nos faz questionar a integridade da obra. As perseguições não são frenéticas, as atuações não convencem, e a duração, que é até alguns minutos maior comparada ao primeiro filme, é mal aproveitada. O longa não consegue se sustentar e desenvolver-se adequadamente ao longo de suas 1 hora e 31 minutos.

The Strangers: Chapter 1 – Paris Filmes (2024)

Há uma grande diferença entre o final das duas obras. Como a intenção de Renny Harlin, diretor deste filme, é fazer uma trilogia, temos um final em aberto, e diversos furos no roteiro levam a esse desfecho. Inclusive, há uma cena pós-créditos bastante inusitada e sem sentido. A única esperança para salvar essa trilogia é que o diretor aprenda com os erros deste primeiro capítulo e não os repita na sequência.

Não acredito que possam explicar quem são os assassinos de uma forma que agrade ao público. Um dos maiores acertos de Bryan em 2008, que se repete aqui por se tratar da mesma história, é o fato de que esses personagens não têm motivação para cometer o crime, evidenciando até que ponto vai a crueldade do ser humano, tema também explorado pelo cineasta Michael Haneke em seus filmes. É inesquecível e traumatizante a explicação dos personagens mascarados para as atrocidades cometidas ao final do primeiro longa. A crueldade não tem explicação, não tem motivação, e perceber isso torna a atmosfera do filme muito mais assustadora e angustiante. O ser humano pode ser muito cruel, e sem motivos.

The Strangers: Chapter 1 – Paris Filmes (2024)

“Os Estranhos: Capítulo 1” estreia dia 30 de maio nos cinemas e não merece ao todo ser descartado. A história, criada por Bryan Bertino é interessante e os três assassinos são bastante enigmáticos. É recomendado para quem deseja mergulhar nessa nova trilogia, visto que o segundo capítulo, que parece que irá aos ser lançado ainda esse ano, é uma sequência direta deste.

 

Crítica por Pedro Gomes.

 

Os Estranhos: Capítulo 1 | The Strangers: Chapter 1
Estados Unidos/Reino Unido, 2024, 91 min.
Direção: Renny Harlin
Roteiro: Alan R. Cohen, Alan Freedland
Elenco: Madelaine Petsch, Froy Gutierrez, Gabriel Basso
Produção: Courtney Solomon, Mark Canton, Christopher Milburn
Direção de Fotografia: José David Montero
Música: Justin Burnett, Òscar Senén
Classificação: 16 anos
Distribuição: Paris Filmes

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