Intrigante e misterioso, Imaculada se inspira em clássicos do terror moderno e surpreende, apesar do uso de clichês.
Sydney Sweeney se torna uma verdadeira scream queen neste novo longa-metragem que explora um convento no interior da Itália. A atriz interpreta uma freira norte-americana que se muda para este convento e, com o tempo, descobre que sua nova casa é repleta de horrores, mistérios e segredos.
A história nos entretém consideravelmente, embora seja previsível. A atmosfera é aterrorizante e a ambientação é excelente, lembrando muito clássicos contemporâneos como “A Bruxa”, de Robert Eggers. Apesar de se apoiar em alguns clichês do gênero, os aspectos técnicos elevam significativamente o nível da obra. A trilha sonora de Will Bates (conhecido por “Hot Summer Nights” e “I Origins”) contribui para a criação da tensão e do suspense nesse lugar sombrio.

Uma das coisas mais impressionantes do filme é a fotografia. Alguns frames parecem pinturas, com planos abertos de tirar o fôlego e uma escolha de cores cuidadosa e característica. Este mérito vai para a diretora de fotografia Elisha Christian, que também trabalhou em “Columbus”, de Kogonada.
“Imaculada” tem alguns planos-sequência memoráveis, especialmente na sua última cena. O final pode desapontar alguns em termos de roteiro, mas sua qualidade técnica é inegável, entregando um desfecho marcante e traumatizante.

O desenvolvimento dos personagens é extremamente precário e preguiçoso. A personagem principal abandona completamente seus valores e se torna outra pessoa após descobrir os segredos do convento. O suspense é garantido, mas o terror não assusta nem dá medo. Algumas cenas são agoniantes devido à presença de gore na segunda metade, o que pode satisfazer os fãs dessa característica do gênero.
É triste pensar que, com tanta qualidade técnica, o roteiro tenha sido deixado de lado. Tudo é didático demais, comprometendo a conceitualidade da trama e tornando-a genérica e esquecível. Tudo é entregue e revelado ao espectador de forma fácil e rápida, subestimando sua capacidade de interpretação.

Apesar disso, “Imaculada” não merece ser deixado de lado. Em meio a tantos filmes do gênero que são cópias uns dos outros, este, apesar de aproveitar várias cenas, objetos e situações já saturadas, merece destaque pelo comprometimento da atriz protagonista em entregar uma final girl de respeito, pelo desempenho de Álvaro Morte, o eterno Professor de “La Casa de Papel”, e pela competência da equipe técnica, que conseguiu salvar o longa apesar do roteiro precário e mal desenvolvido.
Crítica por Pedro Gomes.

Imaculada | Immaculate
Estados Unidos, 2024, 89 min.
Direção: Michael Mohan
Roteiro: Andrew Lobel
Elenco: Sydney Sweeney, Álvaro Morte, Benedetta Porcaroli
Produção: Sydney Sweeney, David Bernad, Jonathan Davino
Direção de Fotografia: Elisha Christian
Música: Will Bates
Classificação: 18 anos
Distribuição: Diamond Films












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