Crítica – Grande Sertão

Uma homenagem à história literária do Brasil e ao lendário Guimarães Rosa em um filme de tirar o fôlego.

Numa grande comunidade da periferia brasileira chamada “Grande Sertão”, a luta entre policiais e bandidos assume ares de guerra e traz à tona questões como lealdade, vida e morte, amor e coragem, Deus e o diabo. Riobaldo entra para o crime por amor a Diadorim, mas nunca tem a coragem de revelar sua paixão. A identidade de Diadorim é um mistério constante para Riobaldo, que lida com escolhas morais e dilemas éticos, enquanto busca entender seu lugar no mundo e sua própria natureza. Nesse percurso transcorre as batalhas e escaramuças da grande guerra do Sertão.

Essa é a premissa do filme baseado no clássico da literatura brasileira de Guimarães Rosa, “Grande Sertão: Veredas”. Do diretor de “O Auto da Compadecida” e “Lisbela e o Prisioneiro”, a obra traz a linguagem coloquial da literatura para as telas do cinema, dando brilho aos diálogos em um texto rico e inteligente.

Grande Sertão – Paris Filmes (2024)

Apresentar visualmente as cores do caos e da tristeza, com um texto que aprofunda e oferece detalhes que a tela, por si só, não pode revelar, é algo que só um cinema de alto nível é capaz de fazer. O mistério está presente ao longo de toda duração e esse, definitivamente, é um trabalho excepcional. É notável o cuidado dos produtores e do diretor para entregar um filme à altura da obra original.

O longa-metragem utiliza em predominância a linguagem teatral, e isso é perceptível desde os primeiros minutos, em uma tentativa de adaptar a complexidade temática e a narrativa inovadora do livro. A fotografia merece completo destaque e o sertão é retratado como um espaço ao mesmo tempo hostil e fascinante, onde a cultura e a natureza se entrelaçam de forma inseparável.

Grande Sertão – Paris Filmes (2024)

O desenvolvimento dos personagens é excelente, tanto aqui quanto no livro, e a caracterização deles é exatamente o que um fã de “Grande Sertão: Veredas” espera. Ao longo de suas quase duas horas de duração, temos um ritmo frenético e insano, reforçado pela montagem muito bem executade.

Não só por se tratar de adaptação de um clássico, o diretor arrisca em trazer o texto de Rosa para o cinema, dando vida, cor, imagem e som à obra do autor, que com certeza ficaria impressionado com seu trabalho.

Grande Serão – Paris Filmes (2024)

“Grande Sertão” é um presente para os fãs da clássica literatura brasileira e uma enorme oportunidade de, quem não conhece Guimarães Rosa, conhecer um pouco dele por aqui, abrindo um leque de curiosidade para ler essa e todas as suas obras. Esse filme merece ser apreciado na maior tela possível, Guel Arraes sabe muito bem o que faz, e não erra nunca. Uma honra presenciar mais uma adaptação cinematográfica feita por ele, à partir de uma obra literária.

 

Crítica por Jayro Mycthell.

 

Grande Sertão
Brasil, 2023, 114 min.
Direção: Guel Arraes
Roteiro: Jorge Furtado, Guel Arraes
Elenco: Caio Blat, Eduardo Sterblitch, Luisa Arraes
Produção: Manoel Rangel, Egisto Betti, Heitor Dhalia
Direção de Fotografia: Gustavo Hadba
Música: Beto Villares
Classificação: 18 anos
Distribuição: Paris Filmes

Não perca nenhum conteúdo! Siga o Vi nos Filmes no Instagram, Youtube e Tiktok