Marcelo Botta dirige uma carta de amor ao território do Maranhão, contribuindo significativamente para a preservação de sua cultura.
Marcelo Botta escreve, dirige e produz este filme sobre Betânia, uma mulher de 65 anos que, após perder o marido, é persuadida pelas filhas a deixar sua aldeia remota. Ela se aproxima das dunas dos Lençóis Maranhenses, no norte do Brasil, e se aventura em um novo começo. Embora o título leve seu nome, Betânia não é o centro completo da trama. Os personagens ao seu redor são muito interessantes, retratados com suas peculiaridades e desejos próprios.
Com passagens pelo Berlin International Film Festival, a obra tem uma fotografia esplêndida, que revela a beleza das ermas paisagens dessas dunas brasileiras. O cenário é enriquecido por elementos da cultura e tradições locais, prestando uma grande homenagem ao estado do Maranhão.

Diana Mattos interpreta a personagem principal, e é emocionante vê-la em sua estreia no cinema. A celebração da cultura popular e das belezas naturais do estado nordestino é feita com carinho, levando uma trilha sonora que surpreende em várias cenas por conter instrumentos locais e sons que remetem ao “Bumba Meu Boi”, um elemento que a equipe carrega em todos os festivais pelos quais o filme passa.
Essa conexão cultural torna o longa um importante veículo de representação da identidade maranhense, projetando essa cultura para o público internacional. Botta apresenta sua obra como um convite aos espectadores para mergulharem no que compõe esse local, contribuindo significativamente para a difusão e preservação das tradições regionais.

O que pode ser um problema para algumas pessoas é o roteiro, que apresenta personagens cujos arcos se desenvolvem de forma isolada, sem uma boa interconexão entre eles. Isso cria uma sensação de dispersão narrativa, onde as histórias individuais parecem não caminhar para um objetivo maior ou um clímax satisfatório. A ausência de uma linha narrativa coesa resulta em uma experiência monótona para o espectador, que, ao acompanhar as trajetórias dos personagens, sente que a jornada termina sem grandes resoluções.
Além disso, a montagem reforça essa desconexão ao optar por um ritmo que privilegia longas tomadas das paisagens áridas do Maranhão, que, embora belas, contribuem para um ritmo arrastado. O filme, que já carece de diálogos poderosos ou momentos mais frenéticos, acaba se perdendo em sua lentidão. A beleza contemplativa da ambientação não consegue compensar a falta de um bom desenvolvimento narrativo, e, como estamos lidando com vários personagens relacionados, espera-se que seus conflitos internos se unam, o que acaba não acontecendo.

Em suma, “Betânia” é um filme completamente dedicado ao estado do Maranhão, sua beleza, cultura, povo e tradições. O roteiro pode não seguir uma narrativa convencional e acabar tornando a experiência um pouco cansativa, mas é inegável o cuidado e carinho de Marcelo Botta ao retratar essa região tão pouco explorada no cinema brasileiro.
Crítica por Pedro Gomes.
Filme assistido no Festival do Rio – Rio de Janeiro Int’l Film Festival (2024)

Betânia
Brasil, 2024, 120 min.
Direção: Marcelo Botta
Roteiro: Marcelo Botta
Elenco: Diana Mattos, Ulysses Azevedo, Nádia de Cassia
Produção: Marcelo Botta, Gabriel Di Giacomo
Direção de Fotografia: Bruno Graziano
Música: Tião Carvalho, Edvaldo Marquita da Betânia, Misael Pereira da Betânia
Classificação: 10 anos
Distribuição: Salvatore Filmes










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