Atuação de Haley Bennett e direção visual se destacam em novo filme cativante.
O longa conta a história real de Barbe-Nicole Ponsardin, mulher nascida na França que se tornou uma figura histórica significativa no mundo dos vinhos espumantes, conhecida como a “Grande Dame de Champagne”. Ela se casou com François Clicquot, herdeiro de uma casa de vinhos fundada por seu pai. Com a morte prematura do marido, a viúva assumiu o controle dos negócios da família, uma decisão incomum para uma mulher de sua época. Seu legado é imortalizado na indústria do champanhe.
O filme em questão se destaca principalmente pela atuação impressionante de Haley Bennett, que entrega, possivelmente, a melhor performance de sua carreira até agora. Haley é mais conhecida por dar vida à Charlotte Russel no filme da Netflix “The Devil All the Time” e Hunter Conrad, em “Swallow” (2019). A dor, a dúvida, a indecisão e cada uma das nuances que a personagem carrega ficam expostas em cada um dos enquadramentos, revelando que sem a sua presença, a obra poderia não ter alcançado o mesmo nível de impacto emocional.

Tom Sturridge, por outro lado, oferece uma atuação que não alcança o mesmo nível de profundidade de Haley. Seu desempenho, em alguns momentos parece mediano e um tanto caricato, deixando a desejar.
A direção de fotografia, entretanto, compensa esses pontos com uma ótima estética visual, onde cada frame cria uma atmosfera envolvente e rica em detalhes. Geralmente obras que se apoiam em flashbacks se tornam cansativas, mas aqui, essa tática é eficaz na medida em que cada retorno ao passado tem um propósito claro, fazendo com que as perguntas do passado sejam respondidas no presente e contribuindo para o desenvolvimento da história.
Widow Clicquot – Paris Filmes (2023)
O personagem de Sam Riley apresenta uma complexidade que inicialmente pode causar estranhamento, mas é exatamente essa característica que acaba por cativar o espectador. A química entre ele e a protagonista é bastante agradável, gerando uma conexão que, por vezes, supera até mesmo o vínculo entre ela e François Clicquot.
A cena final, coroada por um discurso impactante, encerra o filme de maneira satisfatória e memorável. O figurino e a ambientação contribuem para elevar o nível da obra, e infelizmente o roteiro falha por ser simples demais e deixar algumas pontas soltas.

Apesar de ser curto, o diretor aproveita bem seu tempo de duração, com segurança do que retratar para que a história seja contada de maneira competente e enxuta.
Crítica por Jayro Mycthell.

A Viúva Clicquot | Widow Clicquot
Estados Unidos, 2023, 90 min.
Direção: Thomas Napper
Roteiro: Erin Dignam
Elenco: Haley Bennett, Tom Sturridge, Sam Riley
Produção: Christina Weiss Lurie, Haley Bennett, Joe Wright
Direção de Fotografia: Caroline Champetier
Música: Bryce Dessner
Classificação: 14 anos
Distribuição: Paris Filmes










Leave a Reply