Crítica – A Forja: O Poder da Transformação (The Forge)

A mesma fórmula do poder da fé é aplicada novamente.

“A Forja” é mais uma obra assinada pelo diretor Alex Kendrick conhecido por trabalhos como “Desafiando Gigantes” e “Prova de Fogo”. Assim como seus filmes anteriores, esse novo longa usa a mesma fórmula para transmitir uma mensagem de fé e superação, especialmente voltada ao público jovem. No entanto, apesar da nobreza do tema, o filme deixa a desejar em diversos aspectos, impedindo que seu potencial seja aproveitado.

Na nova trama, acompanhamos Isaías Wright, um jovem sem perspectivas claras para o futuro que, após terminar o ensino médio, encontra-se perdido. Assim sendo, Isaías é desafiado por sua mãe solo e um empresário de sucesso a começar a traçar um rumo melhor para sua vida. Ele passa a ser discipulado pelo seu novo mentor, conta com orações de sua mãe e de uma guerreira de orações, Dona Clara, e começa a descobrir o propósito de Deus para sua vida.

The Forge – Paris Filmes (2024)

Em um mundo cada vez mais caótico e sem direção, filmes como “A Forja” podem oferecer uma espécie de conforto para aqueles que buscam um norte ou uma motivação. No entanto, o grande problema da obra está na execução dessa mensagem motivacional. Enquanto o filme tenta trazer valores cristãos como empatia, altruísmo e a busca por propósito, o roteiro acaba caindo em uma abordagem genérica, previsível e, às vezes, entediante.

O desenvolvimento do personagem principal é extremamente superficial, deixando lacunas que, se fossem mais bem exploradas, poderiam agregar um peso emocional maior. Um grande exemplo disso é a questão do abandono paterno, que é mencionado, mas nunca verdadeiramente trabalhado. Essa falta de profundidade nos conflitos internos de Isaías faz com que sua jornada pareça acelerada e desconectada, afastando o público da oportunidade de criar um vínculo emocional com o protagonista.

The Forge – Paris Filmes (2024)

As atuações são, em sua maioria, medianas, graças à inexperiência do elenco. Aspen Kennedy Wilson é um jovem ator em ascensão e ainda não tem bagagem o suficiente para transmitir a complexidade emocional necessária para um personagem que está em crise existencial. Os personagens secundários têm de se apoiar em diálogos superficiais e clichês para construir suas personalidades, o que faz com que suas personas aparentam uma certa artificialidade.

A trilha sonora deveria ser um suporte emocional para os momentos de reflexão e falha miseravelmente em criar conexão com o filme. Ao invés de de acompanhar a trama de maneira orgânica, ela soa forçada e com uma certa “jovialidade” desnecessária, que não coincide com o que é retratado em tela. Sobre a história, o diretor insiste em repetir fórmulas já vistas em seus filmes anteriores, com a típica estrutura de “crise e redenção” que termina em um final previsível. Até mesmo os espectadores que buscam algo leve e edificante podem ter dificuldades para apreciar o longa-metragem, visto que os primeiros filmes de Kendrick, mesmo utilizando a mesma fórmula, conseguem ser superiores. “A Forja” carece de originalidade, em um gênero que já sofre há tempos com a falta de criatividade e autenticidade. O resultado final acaba sendo mais do mesmo, sem apresentar elementos novos ou arriscar-se em trazer algo genuinamente impactante.

The Forge – Paris Filmes (2024)

Apesar dos muitos tropeços, é preciso reconhecer o esforço do filme em transmitir valores como a ajuda ao próximo sem esperar nada em troca. Mesmo que mal executado, a produção teve boas intenções em passar a diante uma história motivacional para encorajar um público específico à manter a fé acima de tudo. A mensagem cristã é presente e relevante, mas não consegue transcender os problemas técnicos e narrativos presentes na obra. O filme estreia dia 26 de Setembro nos cinemas, e para os fãs do diretor e de seu estilo, pode ser mais um título a ser apreciado.

 

Crítica por Alisson Ferreira.

 

A Forja: O Poder da Transformação | The Forge
Estados Unidos, 2024, 123 min.
Direção: Alex Kendrick
Roteiro: Stephen Kendrick, Alex Kendrick
Elenco: Aspen Kennedy Wilson, Priscilla C. Shirer, Cameron Arnett
Produção: Eric Fellner, Coralie Fargeat, Tim Bevan
Direção de Fotografia: Bob Scott
Música: Zachary Leffew
Classificação: Livre
Distribuição: Paris Filmes

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