Filmado entre Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba, longa protagonizado por Nivaldo Nascimento integra a Mostra Caleidoscópio |
O curador do Festival de Brasília, Eduardo Valente definiu a obra como: “Um filme absolutamente sui generis, uma ficção histórica como seguramente vocês nunca viram.”
Filmado em preto e branco, o longa constrói uma história de transformação a partir da relação entre o humano e a natureza. Em forma mitopoética, o filme narra a chegada de um peregrino a um castelo, onde uma chaga é aberta em seu corpo, revelando para ele um novo mundo. Ar, fogo, água e terra ocupam o centro de um universo que combina referências da mitologia, das artes visuais, da literatura e da arqueologia, numa experiência em que imagem e som assumem a condução da narrativa.
“Esse filme não se situa no tempo histórico, mas em um tempo mitológico”, afirma Pedro Maia de Brito. “Um mundo que é o nosso, mas parece outro; um tempo pouco identificável; um filme que se revela e se modifica na duração de seu próprio plano.”
As filmagens aconteceram no Vale do Catimbau, no sertão de Pernambuco; no Castelo de Zé dos Montes, no agreste do Rio Grande do Norte; e na Pedra da Boca, no agreste da Paraíba. As paisagens são parte fundamental da construção de um filme que parte da metafísica e do encantamento para colocar em primeiro plano a matéria — minerais, vegetação, corpos e os movimentos dos elementos naturais.
Protagonizado por Nivaldo Nascimento (Propriedade), Os Vivos Caminham a Terra ainda traz no elenco Fernando Teixeira, Maicon dos Santos, Guga Catimbau, além de membros das comunidades onde foi realizado. A trilha sonora original é da compositora húngara Petra Szászi e a produção é assinada pela Miúdo Cinematográfico, em coprodução com a Riacho.
Os Vivos Caminham a Terra marca também o reencontro de Pedro Maia de Brito com o Festival de Brasília. Em 2018, Conte Isso àqueles que Dizem que Fomos Derrotados recebeu os prêmios de Melhor Curta e Melhor Som na Mostra Competitiva Nacional de Curtas. Dois anos depois, Entre Nós Talvez Estejam Multidões conquistou o Troféu Abraccine de Melhor Longa na Mostra Competitiva Nacional.












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