Crítica – Um Completo Desconhecido (A Complete Unknown)

TITULO

Com 8 indicações ao Oscar, Um Completo Desconhecido finalmente chega aos cinemas nesta quinta-feira. Situado na influente cena musical de Nova York do início dos anos 60, o filme segue a ascensão meteórica do músico de Minnesota Bob Dylan, de 19 anos, como cantor folk até as salas de concerto e o topo das paradas, culminando com sua performance inovadora de rock ‘n roll no Newport Folk Festival em 1965.

Os personagens são extremamente bem escritos, e as atuações elevam ainda mais a qualidade do filme. Michael Keaton, Elle Fanning e Monica Barbaro entregam performances brilhantes, dando vida a figuras icônicas que fizeram parte da trajetória de Dylan. Cada um dos coadjuvantes contribui para a construção do universo do protagonista, reforçando o impacto de sua música e personalidade no cenário cultural da época. O roteiro equilibra bem o drama pessoal do artista com o contexto social e musical da década, tornando a narrativa envolvente tanto para fãs quanto para aqueles que não conhecem sua história.

A Complete Unknown – The Walt Disney Studios/Searchlight Pictures (2024)

Timothée Chalamet foi, sem dúvida, a melhor escolha para interpretar Dylan, não por semelhança, mas sim por dedicação. Sua escalação foi aprovada pelo próprio cantor, que expressou entusiasmo nas redes sociais, e a dedicação do ator ao papel é impressionante: ele passou cerca de cinco anos se preparando para o projeto, estudando minuciosamente os trejeitos, a voz e a maneira de cantar de Dylan. Além disso, Chalamet fez questão de interpretar todas as músicas ao vivo, acreditando que isso traria mais autenticidade ao filme. Além de ser fã de Bob Dylan, o ator trabalhou com um especialista vocal para reproduzir a voz do cantor e compositor da maneira mais fiel possível. O resultado é uma performance imersiva e convincente, que justifica sua indicação ao Oscar.

A fotografia do longa nos transporta para os anos 60 e para os palcos onde Bob Dylan consolidou sua carreira. A reconstituição de época, desde figurinos até cenários, é impecável, tornando cada cena visualmente deslumbrante e historicamente fiel. A direção de James Mangold (“Logan”, “Garota, Interrompida”) é essencial para a imersão do público na história, contribuindo diretamente para a qualidade cinematográfica do filme.

A Complete Unknown – The Walt Disney Studios/Searchlight Pictures (2024)

Outro aspecto digno de destaque é a trilha sonora, que apresenta uma seleção cuidadosa das músicas de Dylan, desde os primeiros sucessos até sua fase elétrica. A escolha de manter as performances musicais autênticas, sem dublagens, adiciona uma camada extra de realismo e emoção ao filme. As canções são inseridas organicamente na narrativa, refletindo os momentos de transição na carreira do artista e seu impacto cultural na música.

O filme mantém um ritmo envolvente ao longo de sua duração, aproveitando bem o tempo de tela para desenvolver não apenas o protagonista, mas também o cenário musical e político da época. Os conflitos internos de Dylan, seu relacionamento com outros artistas e sua constante busca por inovação, às vezes à preços altos, são explorados com profundidade e fazendo com que a narrativa se torne mais rica e instigante. Bob Dylan sempre fez o que quis, independente de contratos ou estúidios musicais, e o ápice do longa, em seu encerramento no Newport Folk Festival em 1965 é a prova disso.

A Complete Unknown – The Walt Disney Studios/Searchlight Pictures (2024)

No fim, “Um Completo Desconhecido” não é apenas um filme biográfico, mas um retrato fiel de uma das fases mais importantes da música americana. Com uma direção competente, atuações memoráveis (principalmente pela dedicação à fidelidade) e um respeito evidente pelo legado de Bob Dylan, James Mangold demonstrou aqui sua capacidade para fazer um trabalho extremamente arriscado (como toda cinebiografia ou adaptação) com o maior capricho possível. Diferentemente de filmes que abordam culturas ou pessoas reais sem nenhum preparo ou estudo para isso, a obra se demonstra sólida e confiante para entregar seu resultado após anos de preparação e pré-produlção. Para fãs do cantor ou para aqueles que simplesmente apreciam grandes histórias sobre artistas revolucionários, esta é uma experiência imperdível.

 

Crítica por Pedro Gomes.

 

Um Completo Desconhecido | A Complete Unknown
Estados Unidos, 2024, 140 min.
Direção: James Mangold
Roteiro: Jay Cocks, James Mangold
Elenco: Timothée Chalamet, Edward Norton, Elle Fanning
Produção: Timothée Chalamet, Fred Berger, Alex Heineman
Direção de Fotografia: Phedon Papamichael
Música: Jasper Randall
Classificação: 14 anos
Distribuição: The Walt Disney Company/Searchlight Pictures

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