Crítica – O Esquema Fenício (The Phoenician Scheme)

Wes Anderson retorna em explosão cômica de beleza estética.

Em seu novo filme, Wes Anderon nos apresenta o magnata Zsa-zsa Korda, homem que já sobreviveu à seis acidentes de avião e é pai de nove filhos homens e uma única menina, a freira Liesl. Após temer um novo atentado, Zsa-zsa decide deixar os negócios da família para sua filha, mas antes, pede a ajuda dela para garantir que seu projeto de vida saia do papel, o “Korda Land and Sea Phoenician Infrasctructure Scheme”. Agora, eles precisarão viajar pelo mundo acompanhados pelo ingênuo tutor Bjorn negociar com empresários, empreiteiros e criminosos perigosos, confundindo-os sobre suas intenções para afastá-los do esquema.

Em uma cômica comédia de erros, Anderson constrói sua narrativa sobre uma gama de personagens extremamente excêntricos e carismáticos. O humor nasce tanto das situações inusitadas quanto da rigidez com que os personagens se comportam diante do absurdo, um estilo inconfundível do diretor. O ritmo acelerado garante ao filme uma atmosfera leve e divertida, que prende o espectador sem esforço e arranca risadas genuínas.

The Phoenician Scheme – Universal Pictures (2025)

A sequência de abertura é um espetáculo à parte: uma explosão tragicômica que dá o tom exato do que está por vir.  Com referências claras aos thrillers de espionagem da era de ouro de Hollywood, o filme aposta em uma narrativa mais ágil e descontraída do que os trabalhos recentes do diretor. Através das artimanhas de Zsa-zsa, somos levados ao encontro de personagens misteriosos e pitorescos que contribuem para o enriquecimento de sua história.

Visualmente, O Esquema Fenício não reinventa a estética de Wes Anderson. O diretor mantém sua assinatura visual intacta, como as cores vibrantes na paleta, as composições simétricas, os movimentos de câmera calculados e os cenários que parecem miniaturas ilustradas. Desde Isle of Dogs, essa estética tem sido o ponto mais alto de seu cinema, funcionando como uma moldura para as histórias mais inusitadas.

The Phoenician Scheme – Universal Pictures (2025)

Quanto ao elenco, que sempre é uma vitrine de nomes conhecidos, há uma grata surpresa que rouba a cena: Michael Cera. O ator, muitas vezes subestimado, encontra aqui um personagem que parece ter sido escrito sob medida para ele. A dinâmica entre ele e os protagonistas é extremamente divertida, o que acaba criando momentos de puro ouro cênico. A química com Anderson é tamanha que é quase estranho pensar que essa é a primeira vez que os dois trabalham juntos . Cera transmite uma sensação de familiaridade absurda ao universo do diretor.

Embora o filme não traga o tipo de profundidade emocional presente em obras como Moonrise Kingdom ou O Grande Hotel Budapetse, ele usa sua leveza e para construir um roteiro que permite ser lúdico sem perder a inteligência.

The Phoenician Scheme – Universal Pictures (2025)

Ao final, O Esquema Fenício reafirma o talento de Wes Anderson em criar mundos paralelos que, mesmo absurdos, refletem pequenas verdades do nosso cotidiano. É um filme que diverte, encanta e confirma que Anderson é um dos poucos diretores capazes de trazer beleza e comédia no caos. Pode não ser seu trabalho mais profundo, mas certamente é um dos mais divertidos e envolventes.

 

Crítica por Pedro Gomes.

 

O Esquema Fenício | The Phoenician Scheme
Estados Unidos, Alemanha, 2025, 102 min.
Direção: Wes Anderson
Roteiro: Wes Anderson
Elenco: Benicio del Toro, Mia Threapleton, Michael Cera
Produção: Wes Anderson, Steven M. Rales, Jeremy Dawson
Direção de Fotografia: Bruno Delbonnel
Música: Alexandre Desplat
Classificação: 14 anos
Distribuição: Universal Pictures

 

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