Fantasia pós apocalíptica decepciona na execução de seu roteiro.
Baseada no conto homônimo de George. R. R. Martin, na trama uma rainha desesperada para obter o dom da transmutação toma uma ousada decisão ao invocar a temida e poderosa feiticeira Gray Alys para ajudá-la a alcançar seu desejo. Enviada para a selva fantasmagórica das Terras Perdidas, Alys e seu guia, o caçador de recompensas Boyce, devem superar homens e demônios em uma fábula que explora a natureza do bem e do mal, dívida e realização, e amor e perda.
O filme parte de uma premissa instigante e carrega a promessa de uma aventura épica e sombria, mas tropeça em sua própria ambição. A direção aposta em um universo fantástico rico em possibilidades, com cenários exóticos e elementos místicos, mas falha ao aprofundar seus personagens e criar conexões emocionais com o público. Com uma ambientação que parece copiada de “Mad Max”, falta densidade dramática e desenvolvimento, o que faz com que a obra seja mais interessante em conceito do que em execução.

Visualmente, há momentos que chamam a atenção, com enquadramentos bem elaborados e uma paleta de cores amarronzada que busca transmitir o clima melancólico e árido da narrativa. O carisma de Milla Jovovich e Dave Bautista sustenta parte do longa metragem, com ambos entregando performances sólidas e convincentes, mesmo quando o roteiro não oferece muito com o que trabalhar. Há uma entrega física dos atores ainda que não haja espaço para desenvolver emocionalmente seus personagens. A duração do filme é muito curta para tudo o que ele se propõe.
As cenas de ação são, sem dúvida, o ponto alto do longa. As lutas são bem coreografadas e violentas, cumprindo o propósito de impressionar o público. No entanto, o CGI oscila em qualidade e prejudica a imersão, especialmente em criaturas e cenários digitais que exigiam mais dedicação. Essa inconsistência técnica contrasta com a qualidade das cenas práticas e evidencia uma produção que talvez tenha ambicionado mais do que pôde realizar.

No fim, “Nas Terras Perdidas” é uma obra que tenta se firmar como um épico fantástico adulto, mas que não consegue atingir todo o seu potencial. É um filme com boas ideias, atuações competentes e ação envolvente, mas que carece de profundidade e coesão narrativa para deixar uma marca duradoura. Fica a sensação de que havia um mundo inteiro a ser explorad, mas só tivemos a chance de conhecer a superfície.
Crítica por Pedro Gomes.

Nas Terras Perdidas | In the Lost Lands
Alemanha, Suíça, 2025, 102 min.
Direção: Paul W. S. Anderson
Roteiro: Constantin Werner
Elenco: Milla Jovovich, Dave Bautista, Arly Jover
Produção: Constantin Werner, Jeremy Bolt, Dave Bautista
Direção de Fotografia: Glen MacPherson
Música: Paul Haslinger
Classificação: 16 Anos
Distribuição: Diamond Films











Leave a Reply