A inevitável despedida da adolescência
Estrelas Terrestres parte de um sentimento praticamente universal, aquele momento em que amizades construídas ao longo de anos começam a se desfazer não por brigas ou desentendimentos, mas porque a vida simplesmente segue caminhos diferentes. O curta compreende a melancolia silenciosa que existe nesses afastamentos e encontra alguns momentos observacionais interessantes ao registrar personagens que tentam lidar com a proximidade de uma despedida inevitável.

Na obra, Miguel, 17 anos, morador de uma pequena cidade do interior do Brasil, sonha em se tornar ator. Ao passar em um teste em uma grande cidade, ele se vê diante do dilema de deixar para trás sua casa e seu melhor amigo, João. Miguel percebe que fugir é mais fácil do que se despedir.
No entanto, embora reconheça esse sentimento de despedida, a obra raramente encontra a profundidade emocional necessária para transformá-lo em algo verdadeiramente comovente. Há a sensação constante de que estamos assistindo apenas a um fragmento de uma história maior, como se faltassem cenas capazes de fortalecer os vínculos entre aqueles personagens e fazer o espectador sentir o peso daquela separação. Paradoxalmente, é justamente essa natureza inacabada que também desperta curiosidade, já que o filme sugere um universo e relações que parecem existir para além do que é mostrado na tela. O resultado é um curta que possui boas intenções, mas que deixa a impressão de que sua duração poderia ter sido melhor aproveitada para aprofundar emoções que permanecem sempre a uma certa distância.

Ainda que não alcance toda a força emocional que sua premissa promete, Estrelas Terrestres demonstra um olhar genuinamente sensível para os pequenos momentos que antecedem as grandes mudanças da vida. A naturalidade com que observa seus personagens, sem recorrer a conflitos artificiais ou dramatizações excessivas para comunicar seus sentimentos é tocante. As atuações contribuem significativamente para essa proposta, transmitindo uma espontaneidade que faz com que as relações pareçam vividas, e não encenadas. Mesmo quando a narrativa deixa a impressão de que poderia ir mais longe, permanece a sensação de estar diante de uma obra feita com delicadeza e afeto, interessada em capturar emoções cotidianas que muitas vezes passam despercebidas, mas que carregam um significado duradouro para quem as vive.
Crítica por Pedro Gomes.
Assistido no 15° Olhar de Cinema – Festival Internacional de Cinema de Curitiba (Mostra Mirada Paranaense Sanepar)
Estrelas Terrestres
Brasil, 2026, 15min.
Direção: Rafael Neri M. Ferreira
Roteiro: Rafael Neri M. Ferreira
Elenco: João F. Calanca, Guillen Medeiros
Produção: Antonio Carlos Candido da Cunha
Direção de Fotografia: Vitor Meloni
Música: Tulio Borges
Classificação: 12 Anos












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