O retrato mais fiel e humano da adolescência em uma nova jornada de complexidade emocional.
A adolescência sempre foi considerada uma fase complicada, principalmente porque o adolescente está em um limbo onde não é mais uma criança, mas também não é um adulto. Como alguém que já passou por essa fase, sabemos que nossas emoções raramente são levadas a sério e, na maioria das vezes, somos incompreendidos. “Divertida Mente 2” personifica a adolescência de forma surreal, mirando tanto o público adulto, com o qual é quase impossível não se identificar em alguma cena, quanto o público infantil, proporcionando diversão e preparando o terreno para a transição mais significativa e abrupta na vida de uma pessoa: da infância para a vida adulta.
Aqui, a mente de Riley é invadida por novas emoções: Tédio, Vergonha, Ansiedade, Inveja e Nostalgia. Essas emoções permitem uma representação mais complexa da mente humana, refletindo as incertezas e as complexidades da fase vivida pela protagonista. A adolescência é um período crítico de desenvolvimento psicológico, marcado por mudanças na identidade e nas interações sociais. Assim como no primeiro filme, a personificação das emoções facilita a compreensão das próprias experiências emocionais e promove a empatia.

Ao focar nas emoções, a obra sugere que todas têm um propósito e desempenham um papel na experiência humana. A introdução de novas emoções enfatiza que nossa vida emocional está em constante evolução, e que os sentimentos são interdependentes. Não há alegria sem tristeza, nem ansiedade sem medo, e assim por diante. As emoções formam uma rede interligada onde cada sentimento pode afetar e ser afetado pelos outros.
A ansiedade nunca foi tão bem representada na história do cinema. A falta de ar, a confusão e a desordem presentes na vida dos ansiosos são retratadas fielmente nesta animação profundamente elaborada. Em uma das melhores obras dos últimos anos, a Pixar presenteia o espectador com uma verdadeira aula de autoconhecimento, ajudando-o a entender melhor seus próprios sentimentos. A vida não se resume apenas a memórias felizes, e isso é perfeitamente aceitável. Afinal, o inesperado é o que torna nossa jornada de mão única mais interessante.

Emocionante, comovente e único, o longa se consagra como uma obra-prima, sendo talvez o único que ilustra como a ansiedade pode se entrelaçar com outras respostas emocionais, destacando sua complexidade. A ansiedade raramente ocorre isoladamente, mas sim em um contexto emocional mais amplo. Os conflitos internos vividos por Riley, seus dilemas e escolhas, que aos 13 anos parecem definir nossas vidas, têm a representação mais humana e didática já vista na história do cinema. Exemplificando a ação dolorosa que é crescer, “Divertida Mente 2” será lembrado e estudado por muitos anos.
Em termos de entretenimento, o filme garante diversão. A introdução de novos personagens em 2D funciona como um alívio cômico maravilhoso nesta animação. Embora não seja dirigido pelo mesmo diretor do primeiro filme, Pete Docter, que passou o bastão para o diretor Kelsey Mann, Pete continua presente como produtor executivo. Ele é um dos maiores talentos da Pixar atualmente, trazendo originalidade e criatividade desde seu trabalho em Toy Story como animador.

Trazendo um pouco para o lado pessoal, assisti ao filme inteiro com medo do final. É comum que filmes de longa-metragem recorram a clichês, e eu estava particularmente esperando por isso. No entanto, Kelsey encerra sua história de forma perfeita, criando um dos melhores e mais necessários finais já vistos. Não havia outra opção; qualquer final diferente teria comprometido a originalidade e a autenticidade do filme. Há duas pequenas cenas pós-créditos que são divertidas, mas não acrescentam relevância à história nem sugerem uma continuação desnecessária. Se houver um “Divertida Mente 3”, que mantenha a qualidade excepcional dos dois primeiros filmes, que são grandes objetos de estudo para Psicologia e Psicanálise.
Crítica por Pedro Gomes.

Divertida Mente 2 | Inside Out 2
Estados Unidos, 2024, 97 min.
Direção: Kelsey Mann
Roteiro: Meg LeFauve, Dave Holstein
Elenco: Amy Poehler, Maya Hawke, Kensington Tallman
Produção: Mark Nielsen, Kim Collins
Direção de Fotografia: Adam Habib, Jonathan Pytko
Música: Andrea Datzman, Michael Giacchino
Classificação: Livre
Distribuição: The Walt Disney Company











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