Um filme indeciso sobre seu gênero.
Como Todo Mortal parece partir da ideia de que a observação paciente é suficiente para gerar significado. Em alguns momentos, essa aposta até sugere caminhos interessantes, mas o filme permanece tão comprometido com seu próprio ritmo que acaba negligenciando o envolvimento do espectador. A sensação não é a de acompanhar uma narrativa que se desenvolve, mas de assistir a fragmentos que se repetem até perderem força. O resultado é uma obra que certamente encontrará admiradores de seu minimalismo radical, mas que dificilmente conseguirá evitar o ônus de não conseguirmos entender o que exatamente está sendo construído ao longo de todo esse tempo.
O filme retrata um robô que procura sinais de vida em um planeta distante. A anos-luz de distância, em uma das minas mais antigas do mundo, sob toneladas de resíduos de mineração, um ecossistema entre exploração e explotação se revela, uma paisagem entre Andaluzia e Marte.

A proposta de María Molina Peiró é bastante ambiciosa. Ao combinar elementos documentais, referências ao flamenco e traços de ficção científica, Como Todo Mortal tenta construir uma experiência que transita entre o terreno do real e o da imaginação. No entanto, a impressão é de que essas diferentes camadas raramente encontram uma harmonia verdadeira. Em vez de se complementarem, elas parecem coexistir lado a lado, como ideias interessantes que nunca chegam a formar um todo coeso. O filme encontra dificuldade em se concretizar como um documentário, um filme de ficção ou um filme experimental.
Se a proposta narrativa nem sempre encontra o impacto desejado, a fotografia frequentemente consegue comunicar aquilo que o roteiro deixa escapar. Juan Palacios utiliza a composição para reforçar uma sensação constante de deslocamento e transitoriedade que atravessa o filme.

Crítica por Pedro Gomes.
Assistido no 15° Olhar de Cinema – Festival Internacional de Cinema de Curitiba (Mostra Novos Olhares)
Como Todo Mortal
Países Baixos, Espanha, 2026, 92min.
Direção: Maria Molina Peiró
Roteiro: Maria Molina Peiró
Produção: Manon Bovenkerk
Direção de Fotografia: Juan Palacios
Música: Natalia Domínguez Rangel
Classificação: 14 Anos












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