Crítica | Cara de Um, Focinho de Outro (Hoppers)

Pixar volta a apostar na originalidade em uma história sensível sobre empatia

Hoppers marca um momento interessante na trajetória recente da Pixar. Em meio a uma fase marcada por continuações e franquias consolidadas, o estúdio decide apostar novamente em uma história original. A animação apresenta uma premissa criativa que rapidamente chama a atenção: a possibilidade de humanos se colocarem literalmente no lugar dos animais. A partir dessa ideia, o filme constrói uma narrativa que explora empatia de forma direta e acessível, convidando o público a refletir sobre como nossas ações impactam outras formas de vida.

Ao mesmo tempo, a história se distancia de uma tendência recente das animações contemporâneas, que frequentemente giram em torno de conflitos e dramas adolescentes. Em vez disso, Hoppers amplia seu olhar para questões mais universais, tratando de convivência, responsabilidade ambiental e da necessidade de compreender o mundo além da perspectiva humana.

Hoppers – Pixar (2026) | Imagem: Reprodução TMDB

Os personagens são interessantes, bem construídos e carismáticos, cumprindo a proposta de gerar empatia no espectador e também de ser agradável aos olhos, reafirmando a identidade visual que a Pixar consolidou ao longo de décadas. O estúdio continua apostando em personagens expressivos, com traços arredondados e exageros cartunescos que privilegiam emoção e legibilidade visual. Essa estilização permite que sentimentos e intenções sejam transmitidos com clareza, reforçando a conexão imediata entre público e personagens.

Com uma narrativa leve, divertida e sensível, a animação equilibra humor e emoção de maneira eficiente, sem abrir mão da mensagem que deseja transmitir. É um filme que consegue entreter enquanto provoca uma reflexão sincera sobre empatia e cuidado com o mundo ao nosso redor.

Hoppers – Pixar (2026) | Imagem: Reprodução TMDB

Em suma, ao apostar novamente em uma história original, a Pixar entrega em Hoppers um de seus trabalhos mais inspirados dos últimos anos. Desde Soul, o estúdio não encontrava um equilíbrio tão convincente entre entretenimento e reflexão, provando que sua força continua sendo contar histórias novas capazes de tocar o público infantil (e adulto) de forma genuína.

Crítica por Pedro Gomes.

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