Alvo Humano prova que a DC também brilha sem superpoderes.
É muito prazeroso, sempre, perceber que o universo dos quadrinhos majoritariamente vinculados a histórias de heróis não se restringe apenas aos heróis com superpoderes. Heróis, sim, por suas atitudes, gestos e decisões, mas não necessariamente atrelados a poderes oriundos de situações sobrenaturais ou fora da realidade (absolutamente nada contra, diga-se! Há, aqui, grande apreço por tais narrativas. Mas é também muito interessante notar como as histórias podem ser interessantes e se sustentarem com um pezinho ligeiramente maior em universos desprovidos de forças incompreensíveis).
Alvo Humano (Human Target), criada por Jonathan E. Steinberg, é um bom exemplo disso. Baseada em quadrinhos da DC Comics, a série chega de forma inédita ao Brasil através da plataforma Adrenalina Pura+, com suas duas temporadas, e é um entretenimento digno de nota.

Se, ao mesmo tempo, consegue entregar ao espectador episódios repletos de ação e adrenalina, com tensão bem explorada e efeitos interessantes — mesmo considerando se tratar de uma série de 2010 —, a série também aborda, de maneira paulatina e muito bem construída, as relações entre os personagens — que, diga-se, são muito carismáticos e humanos.
Há, aqui, um misto entre um produto voltado às brigas e complexidades inerentes à vida do protagonista Christopher Chance (Mark Valley) — um ex-assassino profissional que agora trabalha como isca para clientes ricos e dispostos a pagar por seus serviços, mesmo que indiretamente — e o desenvolvimento genuíno das interações humanas oriundas das situações vividas pelos personagens.
A série possui três indicações ao Emmy: “Melhor Coordenação de Dublês”, “Melhor Tema Musical Original de Abertura” e “Melhor Design de Abertura”, todas pela sua primeira temporada. Apesar de ter sido cancelada por motivos criativos e de custo, possui mérito evidente, em especial por conseguir traduzir de forma cinematográfica a complexidade dos quadrinhos.
Mostra — como já dito — que a DC possui muito a mostrar em termos de heroísmos comuns, do cotidiano — mesmo que açucarados com cenas dignas dos filmes mais bafônicos de Hollywood.
Crítica por Bianca Rolff.
Alvo Humano | Human Target
Creator: Jonathan E. Steinberg












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