The Bride! - Warner Bros. Pictures (2026) | Imagem: Reprodução TMDB

Crítica | A Noiva! (The Bride!)

Subversão, crítica e sentimentos em um cinema que evoca os clássicos literários e cinematográficos.

Estamos em um período de grandes adaptações cinematográficas, voltadas às salas de cinema e também aos streamings. Desde o ano de 2025, fomos agraciados com uma releitura de Frankenstein, romance gótico de Mary Shelley, O Cavaleiro dos Sete Reinos, inspirado em As Crônicas de Gelo e Fogo, de J. R. R. Martin, e mais recentemente, “O Morro dos Ventos Uivantes”, de Emily Brontë, ganhou uma nova adaptação para os cinemas.

Nesta onda, chega aos cinemas A Noiva!, filme de Maggie Gyllenhall (A Filha Perdida), que torna a trazer à luz a história de Mary Shelley. Mas se está esperando por mais uma adaptação básica deste clássico, não é isso que vai encontrar aqui.

Maggie nos transporta para a Chicago dos anos 1930, nos Estados Unidos, com todo o seu mistério obscuro, seus bares de jazz e blues e a atmosfera ferina da máfia local. É neste ambiente que A Noiva! se instaura.

The Bride! – Warner Bros. Pictures (2026) | Imagem: Reprodução TMDB

Ao contrário do próprio romance original e de outras adaptações ciematográficas voltadas à criação de uma noiva para Frankenstein, que é o protagonista da narrativa, aqui nos ligamos diretamente ao surgimento de uma criatura subversiva, não apenas por sua origem duvidosa – através de experimentos científicos – mas por sua vida pregressa e sua influência no mundo.

Neste filme, a figura desta mulher – interpretada por Jessey Buckley (Hamnet) – é o centro da história, e sua relação com Frankenstein – Christian Bale (Batman) – se constroi de maneira muito mais profunda do que apenas a satisfação dele de se ter uma companheira – intuito original de seu pedido à D. Euphronius.

Aqui, somos agraciados com uma história que nos introduz – com o prazer do trocadilho – dentro da cabeça de Mary Shelley, trazendo dos mortos a vivacidade de sua personagem.

The Bride! – Warner Bros. Pictures (2026) | Imagem: Reprodução TMDB

Há, como Gyllenhall diz, para além da inspiração direta no romance de Shelley, também elementos oriundos de A Noiva de Frankenstein (1935), filme clássico das adaptações do romance original. Entretanto, a diretora e roteirista se deu a oportunidade de criar livremente acerca dos rumos da história.

Em A Noiva!, não se trata de entender o reviver de uma mulher apenas enquanto companhia para um pária da sociedade. Aqui, ela também é parte dos párias, em um contexto extremamente perigoso, e a sua “ressurreição dos mortos” abre caminhos para discussões muito mais profundas.

Não se trata de uma história de amor, mas uma história com amor, e muita subversão e crítica social. Gyllenhall introduz temas que atravessam os tempos em importância de luta, tudo isso envolto em um filme cuja plasticidade é um dos pontos fortes.

The Bride! – Warner Bros. Pictures (2026) | Imagem: Reprodução TMDB

A estética mistura o gótico com o contemporâneo, em um estilo que não busca ter um único visual, e justamente por isso se constrói de forma única.

É um filme que, para além de todo o plano de fundo profundo, também nos envolve pela sua ousadia cinematográfica. Atuações performáticas, cenários ricos, trilhas impactantes e um olhar fotográfico profundamente adequado à subversão dos temas e da realidade.

É daqueles que se sai do cinema com uma sensação de estranheza boa, que fica por um tempo e que nos faz refletir sobre como a arte – quando bem estruturada – possui camadas de reflexão e entretenimento na mesma medida.

Crítica por Bianca Rolff.

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