Crítica – A Mulher no Jardim (The Woman in the Yard)

“A Mulher no Jardim” traz um terror simbólico de uma mente em colapso.

Jaume Collet-Serra após recentes trabalhos em blockbusters, depois de quase uma década retorna com seu mais novo filme de terror “A Mulher no Jardim”, que assim como em um de seus mais reconhecidos longas de terror, “A Órfã” (2009), retorna com um terror aparentemente clichê, mas que nos revela ser um filme completamente diferente do esperado.

“A Mulher no Jardim” possui pontos muito interessantes, que poderiam ter sido melhor aproveitados, e pontos já vistos em milhares de filmes no mundo todo do gênero. A narrativa se desenrola a partir do momento em que uma sombria mulher surge sentada no jardim de uma família que se encontra em um momento conturbado. Ramona, a deprimida mãe da família, se encontra tendo de lidar com o difícil luto pelo marido, que morreu em um acidente em que a mesma estava, resultando em sua perna quebrada, enquanto tem de ser a mãe de seus dois filhos, e agora, se já não bastasse quão conturbada essa mãe se encontra, lutar contra as forças sobrenaturais dessa misteriosa mulher.

The Woman in the Yard – Universal Pictures (2025)

Acompanhado de incessantes trilhas sonoras, sem dar espaço algum para o que poderia ser um interessante silêncio, que praticamente não é abordado, – embora se encontrem em uma casa de campo distante de qualquer civilização, onde o silêncio impera – o filme segue com previsíveis jumpscares, junto de várias cenas mal iluminadas, onde essa família se vê isolada do restante do mundo pela falta de energia e sem celulares, o que o filme faz questão de descrever diversas vezes, – que inclusive, a descrição óbvia é muito presente no filme, limitando o questionamento da parte do espectador – em meio a debates psicológicos, mais abordados no decorrer da obra.

Entretanto, pontos que devem ser ressaltados positivamente, é a movimentação de câmera em diversas cenas, onde é possível ter uma mobilidade melhor junto dos personagens, e a presença de sombras em seus ápices de horror, com uma provável influência do expressionismo alemão, cercado de marcas sombras que se esticam e se transformam na tela, trabalhada de maneira muito interessante, como parte das personagens, sendo uma parte essencial para a construção do terror.

The Woman in the Yard – Universal Pictures (2025)

No decorrer em que o terror se desenvolve, é revelado de maneira confusa, que a mulher no jardim é a própria Ramona, ou melhor, seu inconsciente já cansado e doente de tanto ter de aguentar mais um dia, de ter que cuidar de seus filhos, de ter que cuidar de si própria. A mulher nada mais é do que os demônios a quem Ramona luta todos os dias, uma analogia à depressão, diferenciando de grande parte dos filmes de terror, que optam pelo sobrenatural como o protagonista de suas histórias. Aqui a depressão é o grande vilão.

A protagonista vê sua vida somente como uma obrigação para com seus filhos, e se vê na necessidade de se manter viva para que seus filhos tenham uma mãe, e ao discutir com seu demônio interior, ela toma a decisão de acabar de uma vez com a sua vida, seguida de uma falsa desistência de sua parte, mas onde logo compreendemos, que a espingarda em sua cabeça teve seu gatilho puxado. Ramona está com seus filhos, mas não em seu mundo verdadeiro, e sim no mundo que ela mesma sempre sonhou, com o filme se encerrando com a frase várias vezes dita em sonhos e memórias de seu falecido marido: “eu tive um sonho maravilhoso”.

The Woman in the Yard – Universal Pictures (2025)

Embora o grande esforço da equipe de atores, “A Mulher no Jardim” tenta revolucionar com seu terror, mas lança somente mais um filme do gênero, com uma pitada de suspense e o terror psicológico, que tem ganhado cada vez mais força nos últimos anos, sendo um filme de certa forma intrigante, mas que peca em seu objetivo do medo e inovação.

 

Crítica por Penelope Gussonato.

 

A Mulher no Jardim | The Woman in the Yard
Estados Unidos, 2025, 87 min.
Direção: Jaume Collet-Serra
Roteiro: Sam Stefanak
Elenco: Danielle Deadwyler, Okwui Okpokwasili, Peyton Jackson
Produção: Stephanie Allain, Jason Blum, Dwjuan F. Fox
Direção de Fotografia: Pawel Pogorzelski
Música: Lorne Balfe
Classificação: 16 anos
Distribuição: Universal Pictures

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