Cineclube Vi nos Filmes

Lapso

Um filme sobre encontros, incertezas e afetos que nascem em lugares improváveis.

Brasil, 2023. Direção: Carol Cavalcanti.

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Entrevista com a direção

Entrevista com Carol Cavalcanti

Crítica

Um filme sobre amizades, arrependimentos e culpas que o tempo não apaga.

Lapso acompanha Bel e Juliano, adolescentes da periferia de Belo Horizonte que se conhecem durante o cumprimento de medidas socioeducativas após praticarem atos de vandalismo. A partir desse encontro, o filme observa a construção de uma relação atravessada por afetos, inseguranças e pela tentativa de imaginar algum futuro possível.

A narrativa encontra força justamente na forma como acompanha seus personagens sem reduzir suas trajetórias a um único gesto ou erro. Bel e Juliano são vistos em movimento, tentando compreender o lugar que ocupam no mundo e as consequências das escolhas que os levaram até ali. O filme se interessa menos pelo julgamento e mais pela escuta, permitindo que a vulnerabilidade dos protagonistas apareça aos poucos.

Lapso | Imagem: Reprodução

Lapso | Imagem: Reprodução

O espaço das medidas socioeducativas se torna, então, mais do que um cenário. Ele funciona como território de tensão e aproximação, onde os personagens passam a compartilhar não apenas uma condição circunstancial, mas também dúvidas, medos e desejos que talvez não encontrassem lugar em outros contextos.

Ao escolher uma abordagem intimista, Carol Cavalcanti constrói um filme atento aos pequenos gestos. A força de Lapso está na observação dos silêncios, dos olhares e das hesitações que revelam aquilo que os personagens ainda não conseguem dizer em voz alta.

Mais do que uma história sobre juventude, Lapso é um filme sobre a delicadeza de crescer em meio à incerteza. Um retrato sensível de personagens que, mesmo marcados por um episódio de ruptura, seguem tentando encontrar algum tipo de pertencimento.

Crítica por Pedro Gomes.

Filme assistido no Cineclube Vi nos Filmes.

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