Um filme sobre amizades, arrependimentos e culpas que o tempo não apaga.
Lapso acompanha Bel e Juliano, adolescentes da periferia de Belo Horizonte que se conhecem durante o cumprimento de medidas socioeducativas após praticarem atos de vandalismo. A partir desse encontro, o filme observa a construção de uma relação atravessada por afetos, inseguranças e pela tentativa de imaginar algum futuro possível.
A narrativa encontra força justamente na forma como acompanha seus personagens sem reduzir suas trajetórias a um único gesto ou erro. Bel e Juliano são vistos em movimento, tentando compreender o lugar que ocupam no mundo e as consequências das escolhas que os levaram até ali. O filme se interessa menos pelo julgamento e mais pela escuta, permitindo que a vulnerabilidade dos protagonistas apareça aos poucos.
Lapso | Imagem: Reprodução
O espaço das medidas socioeducativas se torna, então, mais do que um cenário. Ele funciona como território de tensão e aproximação, onde os personagens passam a compartilhar não apenas uma condição circunstancial, mas também dúvidas, medos e desejos que talvez não encontrassem lugar em outros contextos.
Ao escolher uma abordagem intimista, Carol Cavalcanti constrói um filme atento aos pequenos gestos. A força de Lapso está na observação dos silêncios, dos olhares e das hesitações que revelam aquilo que os personagens ainda não conseguem dizer em voz alta.
Mais do que uma história sobre juventude, Lapso é um filme sobre a delicadeza de crescer em meio à incerteza. Um retrato sensível de personagens que, mesmo marcados por um episódio de ruptura, seguem tentando encontrar algum tipo de pertencimento.
Crítica por Pedro Gomes.
Filme assistido no Cineclube Vi nos Filmes.