A Mostra Competitiva da CineOP 2026 reúne filmes que dialogam com a memória sob diferentes perspectivas, seja por meio de imagens de arquivo, de lembranças íntimas ou da ressignificação de figuras históricas da cultura brasileira. Conversamos com os diretores Gustavo Castro (Notas Sobre um Desterro), Luiza Lindner (Irritante Prodígio) e Rafael Saar (Apopcalipse Segundo Baby) sobre a trajetória de seus filmes até o festival, a importância de integrar uma mostra dedicada à preservação audiovisual e como cada obra contribui, à sua maneira, para ampliar as formas de registrar, revisitar e preservar a memória.
Gustavo Castro (Notas Sobre um Desterro): Esse filme já circulou por cerca de 20 festivais no mundo inteiro, festivais muito importantes aqui no Brasil, como Festival de Brasília, Mostra de Cinema em São Paulo, Sesc Olhar de Cinema, o filme já estreou no México, no DocsaMX, que é um festival bastante importante, e o documentário da América Latina, estreou nos Estados Unidos, em Portugal, na Noruega, agora foi vai ter uma estreia asiática na Tailândia, no festival em Bangkok. E o Cine OP era um dos festivais no Brasil que a gente mais tinha interesse e vontade que o filme entrasse porque é um festival que preserva a memória, que trata sobre a importância da imagem de arquivo, né? E esse filme que a gente fez sem as imagens de arquivo, ele não teria, ele não alcançaria a potência que ele tem.
Luiza Lindner (Irritante Prodígio) Realmente Ritente Prodigio tá aqui no CineOP, para mim, é algo muito especial, assim, de que esse filme tá sendo também colocado como algo que é uma memória, que preserva uma memória. E é engraçado porque a memória é muito pessoal. Então, ter ela também nessa brincadeira entre os outros quatro filmes dentro da competitiva e vendo realmente a história, a memória, os arquivos sendo tão valorizados, e os discutidos, me faz, na verdade, me sentir muito realizada e valorizada dentro da história da trajetória do meu filme, né, porque ele é muito subjetivo, muito emocional, mas ao mesmo tempo a gente traz essa esse quê de realidade e realmente esse registro do filme, você sabe. E ver esses excessos, ver essa montagem, ver, enfim, todo o resultado disso colocado em tela e com profissionais que eu admiro dentro de um festival que eu admiro, que eu nunca tinha feito parte de algo desse tamanho ainda assim. Então é aquela sensação de primeira vez, mas muito feliz.
Rafael Saar (Apopcalipse Segundo Baby) Eu iniciei esse filme em 2008 e eu procurei a Baby (Consuelo) porque eu fiquei pensando em que artista me trazia uma inquietação de tradição, não só musical, mas também estética e de comportamento. Eu tinha feito um trabalho com o Ney Matogrosso, que eu acho que foi fundamental nessa ideia, né, de tradição e acho que a Baby foi então a artista seguinte que eu procurei e acreditava que eu poderia fazer um filme que dialogasse, com a criação artística dela e também a conexão espiritual e por isso eu a procurei. Estar aqui, entendo no sentido de que o filme é uma tentativa de criação de uma nova memória em cima da visão que as pessoas têm da Baby, né, de uma construção de uma memória que entenda a importância dela como uma figura fundamental na história da música, da cultura brasileira em todas as últimas décadas, e acho que feliz assim se o filme puder cumprir pelo menos um pouco dessa função.












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