Corajoso, porém cansativo.
Em um momento em que grande parte do cinema busca constantemente prender a atenção do espectador, Pedro Diógenes escolhe o caminho oposto. Seu filme observa de forma desacelerada e convida o público a acompanhar rostos de pessoas comuns em um longo plano-sequência e por uma estrutura que se recusa a oferecer qualquer tipo de conforto narrativo. É uma proposta estranhamente arriscada. Os personagens não projetam falas e somos guiados por um voice over de cada um deles, aparentemente em um teste de elenco, lendo e relendo as mesmas passagens de ‘Teobaldo Morto, Romeu Exilado’, enquanto refletem sobre a dor e a delícia da profissão que escolheram seguir.

A intenção é clara: investigar a vulnerabilidade através de atores aguardando testes e refletindo sobre suas vidas, seus medos e suas expectativas. Há algo genuinamente humano em observar pessoas tentando conciliar seus sonhos com as dificuldades da profissão artística.
O problema é que o filme parece confiar demais na força dessa premissa. À medida que os depoimentos se acumulam, surge uma sensação de repetição. Muitos dos conflitos apresentados são legítimos, mas dificilmente exclusivos daqueles atores. O medo de fracassar, a instabilidade financeira, a dificuldade de ser reconhecido e a incerteza sobre o futuro fazem parte da trajetória de praticamente qualquer pessoa que escolhe viver da arte. Em vez de aprofundar essas questões ou encontrar novas camadas para elas, o filme frequentemente retorna aos mesmos pontos.

Essa repetição acaba transformando a experiência em algo cansativo. O que inicialmente desperta curiosidade aos poucos perde impacto, não porque os relatos sejam desinteressantes, mas porque o filme parece incapaz de conduzi-los para além do que já foi estabelecido nos primeiros minutos. Falta uma progressão dramática, uma descoberta ou mesmo uma transformação que justifique a longa duração da proposta.
Ainda assim, existe honestidade em sua construção e coragem em sua simplicidade. Poucos diretores estariam dispostos a apostar tanto na palavra, na presença e na escuta. O filme acredita profundamente que existe valor em simplesmente observar pessoas compartilhando suas experiências, e há algo respeitável nessa confiança.
Crítica por Pedro Gomes.
Assistido no 15° Olhar de Cinema – Festival Internacional de Cinema de Curitiba (Mostra Competitiva Brasileira)












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