O Último Episódio - Mostra de Cinema de Tiradentes

Tatiane Costa fala sobre transformação, infância e criatividade na Mostra de Cinema de Tiradentes

Na 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes, conversamos com Tatiane Costa, intérprete de Cristão em O Último Episódio. Em seu primeiro papel no cinema, a atriz falou sobre o processo de caracterização da personagem, os desafios de entrar nesse universo pela primeira vez e a importância da criatividade na infância, tema central do filme. A conversa também passou pelo impacto das telas na formação das novas gerações e pelo momento em que Tatiane descobriu que queria seguir a carreira artística.

O Último Episódio – Mostra de Cinema de Tiradentes

Pedro Gomes:
Como foi a caracterização da sua personagem? Você estranhou a roupa, o figurino, o cabelo? Como foi para você essa mudança?

Tatiane Costa:
Uma das coisas que mais me chocou foi a questão do cabelo. Eu já imaginava que eles iam querer fazer aquele franjão, mas na hora que cortaram deu uma dorzinha no coração, porque a gente já é apegada ao cabelo. Mas, de qualquer forma, valeu a pena.

E, em quesito de caracterização, a Cristão usa roupas um pouco mais largas e consideradas masculinas, enquanto eu prefiro algo mais justo. Eu tive que me acostumar. Senti um calor no set de filmagem, porque é normal, sol, mas me adaptei.

E tem também o figurino dela: usa pochete, usa relógio, cada hora tem um pijama diferente. Acho que isso é muito anos 90 mesmo. Principalmente as meninas gostavam de se enfeitar. E ela vai realmente gostando de usar roupas um pouco mais femininas depois de um tempo, quando começa a lidar com a crise da adolescência.

Pedro Gomes:
Queria saber de você: nos anos 90 as crianças brincavam muito na rua. Como você vê esse retrocesso dessas brincadeiras nos dias atuais?

Tatiane Costa:
Eu acho que brincadeiras são muito saudáveis e ajudam no desenvolvimento da criança, tanto no intelecto quanto no próprio corpo. Ter contato com a terra, brincar, jogar peão, jogar bola.

Infelizmente, a tecnologia, que de certa forma é uma coisa boa, ultimamente tem sido usada de uma forma um pouco prejudicial. Afeta a infância das crianças. Elas começam a querer brincar menos, largam a boneca, o carrinho muito rápido e meio que se desassociam da realidade, focando apenas nas telas.

No filme, a gente vê que o Eric, a Cristão e o Cassinho têm aquela criatividade de criar o próprio passatempo. Eles não têm tecnologia, porque nos anos 90 era muito restrito. Então precisavam inventar a própria diversão. A ideia de criar o episódio, desenhar, sair com os amigos, ir para um campo jogar bola, inclusive tem uma cena deles jogando bola, mostra isso.

É interessante, e eu espero que as crianças que assistirem ao filme também se interessem em viver essa infância. Acho que é um livramento para os pais e para as próprias crianças saírem um pouco das telas e brincar, se divertir. A gente sabe que esse excesso de telas prejudica a criatividade das crianças.

Pedro Gomes:
Você acha que o comprometimento dessa criatividade afeta a arte no futuro, nos futuros artistas?

Tatiane Costa:
Sim, afeta. Porque os hobbies que a gente fala hoje em dia — desenhar, escrever, criar — são muito importantes tanto para o intelecto da criança quanto para a profissão que ela queira seguir. Antigamente, quando perguntavam o que a criança queria ser, muitas já tinham uma definição. Para não ficar só naquela resposta de querer ser influencer — que também é válido — é importante ter interesse por outras áreas, inclusive pela arte.

Assistir filmes, sejam desenhos da Disney, da DreamWorks ou produções brasileiras, ter esse contato com a arte, ajuda a formar a personalidade da criança. Claro que ela ainda não tem muito conhecimento, mas, da pré-adolescência até a juventude, vai se recriando e se descobrindo.

As telas, de certa forma, incentivam as crianças a projetarem coisas que talvez não façam tanta diferença na vida delas, e isso pode impedir que aprendam coisas realmente importantes e fundamentais para o crescimento.

A arte, em sentido amplo, é muito importante, tanto para as crianças quanto com o incentivo dos pais, ajudando a consumir conteúdos adequados à idade e, principalmente, despertando a criatividade. No Último Episódio, inclusive, essa questão da criatividade está muito presente. Eles estão sempre criando, imaginando e tendo força de vontade para fazer, não só imaginar.

Pedro Gomes:
Você lembra quando foi o momento em que decidiu que queria ser atriz? Foi alguma coisa que você viu? O que te motivou?

Tatiane Costa:
Para falar a verdade, eu não imaginava que seria atriz. Eu me descobri quando o Maurílio me descobriu. Mas sempre gostei muito de cinema. Desde criança eu consumia filmes — desenhos, filmes brasileiros, estrangeiros — porque o cinema faz parte da nossa vida. Até quem não entende muito gosta de assistir a um filme, ainda mais num dia chuvoso, com pipoca.

Hoje o cinema tem outro olhar para mim. Quando você está de fora, você apenas assiste. Quando está dentro, começa a entender o universo, o set de filmagem, a dinâmica das produtoras, do elenco. Tudo isso reforçou ainda mais a minha paixão pela profissão, e eu quero seguir nessa área. Espero que apareçam novas oportunidades também.

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