Marty Supreme – Diamond Films (2025) | Imagem: Reprodução TMDB

Crítica | Marty Supreme

Uma jornada de destruição da obsessão ao caos.

Marty Supreme é a grande promessa para levar Timothée Chalamet novamente ao Oscar após as indicações de Call Me by Your Name e A Complete Unknown. Na trama, Chalamet interpreta Marty Mauser (Reisman), um jogador de tênis de mesa ambicioso que se envolve em uma série de problemas na Nova York dos anos 1950. Sua obsessão por sucesso, reconhecimento e validação social o guiam para diversos eventos caóticos que ditam o rumo do longa-metragem.

O caos é praticamente a assinatura autoral dos irmãos Safdie, e, embora este filme seja dirigido por apenas um deles, essa marca ainda é presente. Os ambientes são extremamente opressivos, em uma atmosfera quase clandestina, onde os problemas do protagonista se acumulam sem tempo para digestão. O roteiro se recusa a oferecer conforto e é construído a partir de decisões imprevisíveis e impulsivas. Assim, Marty Supreme transforma a obsessão por sucesso em um motor narrativo sufocante, onde o descontrole é a força que conduz toda a experiência.

Marty Supreme – Diamond Films (2025) | Imagem: Reprodução TMDB

A atuação de Chalamet é o eixo que sustenta o filme; ele constrói Marty Mauser como um personagem inquieto, movido por uma fome constante de reconhecimento. A arte de dominar o ritmo acelerado do filme usando o corpo, o olhar alerta, os gestos nervosos e a fala atropelada são essenciais para traduzir a ansiedade que define o protagonista. Sua performance não busca simpatia fácil, mas empatia através do desgaste: vemos um homem extremamente oportunista se esvaziando emocionalmente a cada tentativa frustrada de se afirmar, o que reforça a tragédia por trás da ambição.

Em contrapartida, o filme tropeça no desenvolvimento de suas personagens femininas. Elas surgem majoritariamente como obstáculos ou espelhos da obsessão de Marty, sem nenhuma personalidade ou complexidade psicológica. Suas motivações raramente são aprofundadas, e seus conflitos pessoais acabam diluídos em favor da jornada masculina central.

Marty Supreme – Diamond Films (2025) | Imagem: Reprodução TMDB

A trilha sonora é simplesmente absurda, essencial para a experiência do filme e longe de funcionar apenas como pano de fundo. A música amplifica a ansiedade e a urgência que atravessam cada cena de forma pulsante e opressiva. Ela é um dos principais artifícios para compreendermos o desajuste do personagem principal com o mundo ao redor. O resultado é hipnótico, tenso e visceral.

A fotografia acompanha esse estado de ebulição com um olhar inquieto. A Nova York dos anos 1950 é retratada de forma suja, claustrofóbica e pouco glamurizada, privilegiando espaços fechados, ruas apertadas e interiores sufocantes. Visualmente, Marty Supreme transforma a cidade em um organismo hostil, refletindo o caos interno do protagonista e fazendo da fotografia um espelho direto de sua obsessão.

Marty Supreme – Diamond Films (2025) | Imagem: Reprodução TMDB

Em suma, Marty Supreme é um filme sobre o declínio pela obsessão, assim como os outros dos irmãos Safdie. Infelizmente, aqui, todos os outros personagens giram ao redor de Chalamet, o que impede, por exemplo, que a primeira atuação de Tyler, The Creator, seja completamente memorável.

Crítica por Pedro Gomes.

Marty Supreme
Estados Unidos, 2025, 150min.
Direção: Josh Safdie
Roteiro: Josh Safdie, Ronald Bronstein
Elenco: Timothée Chalamet; Gwyneth Paltrow; Tyler, The Creator
Produção: Eli Bush, Timothée Chalamet, Ronald Bronstein
Direção de Fotografia: Darius Khondji
Música: Daniel Lopatin
Classificação: 16 Anos
Distribuição: Diamond Films

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