Crítica – A Lenda De Ochi (The Legend Of Ochi)

Novo longa da A24 peca no desenvolvimento de uma premissa interessante.

Dirigido por Isaiah Saxon, novo longa da A24 que chega ao Brasil pela Paris Filmes conta a história de Yuri, uma garota tímida que foi criada em uma vila remota na ilha de Carpathia para temer um certo tipo de criatura: uma espécie de animal conhecida como Ochi. Esse medo, porém, começa a se desfazer quando Yuri encontra um filhote ferido da espécie Ochi, abandonado. Tomada pela empatia, ela decide embarcar numa jornada para devolver o bebê Ochi à sua família, sem saber que esse gesto a conduzirá por uma aventura repleta de descobertas, mistérios e desafios.

Visualmente, o filme é um espetáculo. Isaiah Saxon entrega uma obra de tirar o fôlego, com paisagens que parecem saídas de um sonho, pintadas com cores vívidas e uma estética que lembra a de um conto de fadas moderno. O trabalho de fotografia é, sem dúvida, o grande destaque da produção. Cada quadro captura a essência da fantasia, misturando o onírico com o épico de forma hábil. A imersão no universo criado é instantânea, com efeitos especiais bem utilizados que tornam a natureza exuberante da ilha e a criatura misteriosa fascinantes. Através da fotografia, o filme estabelece uma atmosfera de encantamento e mistério, convidando o espectador a adentrar em um mundo novo e desconhecido.

The Legend of Ochi – Paris Filmes (2025)

Contudo, a magia visual não é suficiente para salvar a narrativa do filme. O roteiro peca ao não aprofundar de maneira satisfatória os personagens centrais. Embora Helena Zengel (que já mostrou seu talento avassalador em Systemsprenger) e Willem Dafoe tenham potencial para trazer performances memoráveis, o roteiro não lhes oferece o material necessário para que isso aconteça. Yuri, não apresenta o carisma esperado, e sua jornada de autodescoberta e empatia é extremamente rasa, não conseguindo gerar a conexão emocional que o filme tanto busca. Mesmo com a trama central de um ser místico e um bebê abandonado, a dinâmica entre os personagens nunca nos faz acreditar plenamente nas relações ou nas motivações deles, deixando uma grande sensação de superficialidade.

Outro grande problema é a construção da criatura Ochi, que é tratada como um mistério ao longo do filme, mas, ao final, permanece um enigma que nunca é desvendado. A ausência de explicações sobre quem são os Ochi, o que representam ou por que são temidos pelo personagem de Willem Dafoe deixa o filme incompleto. A criatura, apesar de sua beleza e do impacto visual que causa, acaba sendo apenas um elemento decorativo na história, sem profundidade ou relevância real.

The Legend of Ochi – Paris Filmes (2025)

The Legend of Ochi se perde na sua tentativa de ser uma grande fantasia épica, mas com uma fórmula que se aproxima da previsibilidade. A jornada de Yuri segue um caminho excessivamente genérico, seguindo uma linha que já foi explorada em inúmeros outros filmes de maneira mais eficaz. O filme oscila entre tentar ser um blockbuster no estilo de Lilo & Stitch e Gremlins e buscar um status de futuro clássico sobre criaturas místicas, e essa oscilação o faz parecer perdido, sem saber qual dos rumos tomar. De forma ambiciosa, o longa se esforça para se manter relevante dentro do gênero, gerando uma expectativa alta que a obra não consegue superar.

The Legend of Ochi – Paris Filmes (2025)

Infelizmente, The Legend of Ochi é uma fantasia que promete muito, mas não entrega o necessário para ser uma obra memorável. A A24, conhecida por suas produções arrojadas e provocativas, aqui se arrisca em um território que parece não saber muito bem como explorar. Temos um conto de fadas moderno que se perde em suas próprias ambições e acaba deixando o público com mais perguntas do que respostas, com a sensação de ter assistido algo incompleto, como um episódio piloto de uma série, por exemplo.

 

Crítica por Pedro Gomes.

 

A Lenda de Ochi | The Legend of Ochi
Estados Unidos, Finlândia, 2025, 95 min.
Direção: Isaiah Saxon
Roteiro: Isaiah Saxon
Elenco: Helena Zengel, Finn Wolfhard, Emily Watson
Produção:Anna L. Coats, Christopher Landry, Richard Peete
Direção de Fotografia: Evan Prosofsky
Música: David Longstreth
Classificação: 12 anos
Distribuição: Paris Filmes

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