Crítica – O Homem-Cão (Dog Man)

Divertido e despretencioso, O Homem-Cão traz humor leve para divertir e entreter as crianças mais novas.

A DreamWorks lança nesta quinta-feira sua mais nova animação, “O Homem-Cão”. Após o gigantesco sucesso de “Robô Selvagem”, que encantou públicos de todas as idades com sua abordagem sofisticada, o estúdio agora aposta em uma produção voltada para crianças menores. Com um tom mais leve e descontraído, o filme tem como principal objetivo divertir o público infantil, enquanto oferece momentos de entretenimento também para os adultos que acompanharem seus filhos ao cinema.

A trama parte de uma premissa bastante peculiar: um policial humano e seu fiel cachorro de estimação sofrem um acidente durante uma operação, resultando na perda total da cabeça do policial e do corpo do cão. Para salvar suas vidas, os médicos realizam uma fusão inusitada, unindo o corpo de um à cabeça do outro. Dessa forma, nasce o Homem-Cão, que assume o papel de protetor da cidade e precisa enfrentar os planos malignos de Pepê, um gato supervilão determinado a causar o caos.

O Homem-Cão – Universal Pictures (2025)

O roteiro é simples e direto, adotando uma abordagem didática que facilita a compreensão do público infantil. Não há grandes reviravoltas nem motivações profundas por trás das ações do vilão, nem nuances complexas na personalidade do protagonista. Ainda assim, o filme cumpre o que promete, proporcionando uma experiência leve e divertida para crianças de até 10 anos, com um humor acessível e um ritmo dinâmico.

Mesmo sendo voltado para o público infantil, “O Homem-Cão” traz algumas piadas que funcionam também para os adultos, tornando a experiência mais agradável para quem acompanha os pequenos ao cinema. Um dos destaques visuais do longa é sua estética inspirada em histórias em quadrinhos. Esse estilo contribui para o clima lúdico e divertido da obra, fazendo do protagonista um típico herói de quadrinhos infantis, enfrentando um supervilão com um laboratório secreto sempre pronto para atrapalhar seus planos de salvar o mundo.

O Homem-Cão – Universal Pictures (2025)

No entanto, um dos pontos fracos da animação é a forma como a narrativa subestima a capacidade de interpretação das crianças. Os personagens frequentemente narram suas próprias ações e pensamentos, tornando o filme excessivamente autoexplicativo. Ainda que seja uma obra direcionada ao público infantil, não há necessidade de explicitar cada movimento ou pensamento, pois isso pode tornar a experiência monótona e impedir que as crianças explorem sua própria compreensão da história.

“Robô Selvagem” e “Gato de Botas 2: O Último Desejo” entregaram uma qualidade cinematográfica absurda e revolucionária para a animação. Aqui, a intenção da DreamWorks não é inovar ou buscar reconhecimento em premiações, mas sim entregar um filme divertido, com um protagonista carismático e um humor despretensioso. O longa se mantém dentro dessa proposta, sem buscar desenvolvimentos narrativos mais elaborados, e por essa razão, alguns adultos podem achar a experiência um pouco repetitiva e previsível, já que o filme mantém um ritmo constante do início ao fim, sem grandes variações.

O Homem-Cão – Universal Pictures (2025)

Em suma, “O Homem-Cão” é uma animação eficiente dentro de sua proposta. Os personagens secundários também são bem divertidos, interessantes e carismáticos, fazendo com que o humor leve do filme seja funcional e conquiste seu público-alvo. Para os adultos, pode não ser tão memorável quanto outras animações do estúdio, mas ainda assim oferece um entretenimento agradável e momentos divertidos ao lado das crianças, que levarão para casa uma mensagem genérica, mas importante, ao final do filme.

Crítica por Pedro Gomes.

O Homem-Cão | Dog Man
Estados Unidos, 2025, 89 min.
Direção: Peter Hastings
Roteiro: Peter Hastings
Elenco: Peter Hastings, Pete Davidson, Lil Rel Howery
Produção: Karen Foster, Bianca Margiotta, Shabrayia Cleaver
Direção de Arte: Christopher Zibach
Música: Tom Howe
Classificação: Livre
Distribuição: Universal Pictures

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