Novo filme de Capitão América traz um simples porém divertido e interessante longa de super herói.
“Capitão América: Admirável Mundo Novo” marca a estreia de Sam Wilson como o novo Capitão América no Universo Cinematográfico Marvel (MCU). Dirigido por Julius Onah, o filme busca equilibrar ação de super-herói com intriga política contemporânea, e essa escolha faz com que o espectador fique imerso na trama do início ao fim. No entanto, apesar das altas expectativas, o resultado é inconsistente.
A trama central gira em torno de uma conspiração global que ameaça a estabilidade mundial. Após um encontro com o recém-eleito presidente dos Estados Unidos, Thaddeus Ross, Sam se vê no meio de um incidente internacional que requer sua intervenção. A premissa é bastante promissora, mas falha em deixar o público refletir, pois as falas e atitudes dos personagens são completamente didáticas, tornando difícil empatizar com os interesses de cada um, sejam eles explicitamente bons ou não. Os dilemas que cada personagem enfrenta soam desinteressantes e facilmente solucionáveis.

Anthony Mackie traz carisma ao papel de Capitão América, mas enfrenta o desafio de preencher o vazio deixado por Chris Evans. Todas as perguntas que recebemos após a sessão se resumem a: quem é melhor, Anthony ou Evans? Esse tipo de questionamento deve ser deixado de lado; precisamos aprender a analisar o filme como uma obra única, sem compará-lo a um Capitão América cujo arco já teve um final estabelecido. Devemos aceitar a “passagem de bastão”.
A interpretação de Anthony é bastante sólida, mas o roteiro não permite que o personagem explore suas nuances e dificuldades como ser humano, limitando-se a retratar apenas o peso de assumir o manto de alguém extremamente carismático e querido por todos. Harrison Ford, por outro lado, entrega uma performance digna como Presidente Ross, porém sua transformação em Hulk Vermelho deixa a desejar. A partir desse momento, o roteiro decai de maneira extraordinária, apoiando-se em vários dos conhecidos e já estabelecidos clichês da Marvel.

Visualmente, o filme apresenta efeitos especiais consistentes. As cenas de luta estão bastante impressionantes e bem coreografadas, sem muita artificialidade. O único erro evidente do CGI está no Hulk do personagem Ross, que soa completamente fora de sintonia com os demais efeitos visuais. Isso dá ao espectador a impressão de que, a partir dali, os efeitos foram feitos de forma apressada e questionável, o que pode comprometer a imersão.
A tentativa de inserir relevância política na narrativa é evidente, mas sem profundidade. O filme toca em temas como controle mental e encarceramento injusto, mas não os explora da forma necessária para provocar uma reflexão significativa. Isso resulta em uma abordagem que parece mais uma obrigação do que uma escolha consciente. O humor característico do Universo Marvel está presente, mas sem o mesmo impacto de produções anteriores. As piadas funcionam, mas não são suficientes para arrancar grandes risadas do público.

Em suma, “Capitão América: Admirável Mundo Novo” é uma adição mediana ao MCU. Embora apresente performances notáveis e algumas sequências de ação envolventes – especialmente quando visto em uma experiência IMAX –, ele é prejudicado por uma narrativa previsível e falta de profundidade temática. Para os fãs de longa data, pode ser uma experiência satisfatória, mas não oferece a inovação que muitos esperavam para esta nova fase da franquia.
Crítica por Pedro Gomes.

Capitão América: Admirável Mundo Novo | Captain America: Brave New World
Estados Unidos, 2025, 119 min.
Direção: Julius Onah
Roteiro: Julius Onah, Peter Glanz, Rob Edwards
Elenco: Anthony Mackie, Harrison Ford, Danny Ramirez
Produção: Kevin Feige, Nate Moore, Mitchell Bell
Direção de Fotografia: Kramer Morgenthau
Música: Laura Karpman
Classificação: 14 anos
Distribuição: The Walt Disney Company










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