Novo terror psicológico agoniante é perturbador e artisticamente envolvente.
“Longlegs” é o novo filme de terror distribuido pela Diamond Films (Fale Comigo). Na trama, seguimos a agente do FBI Lee Harker, que procura incansavelmente um assassino misterioso, que leva no nome o título do filme. Esse assassino não deixa nenhuma pista nas cenas de crime, exceto por uma carta codificada, assinada com seu apelido.
O terror psicológico criado aqui é absurdo, sabemos que o mal está sempre perto, seja por vultos ou pelo design de som maravilhosamente bem executado. A obra é a materialização de um medo que não pode ser visto, e a tensão persegue o espectador do início ao fim nessa investigação assustadora e aterrorizante.

A protagonista é magistralmente interpretada por Maika Monroe, e sua presença na tela causa uma certa estranheza, um desconforto. Lee parece sempre estar processando algo em sua mente, sempre pensando demais, e conforme a trama avança, mais vamos tentando compreender o que faz com que ela seja tão única e especial. Nicolas Cage está avassalador na pele de um assassino louco e pouco compreensível, beirando à insanidade. Mesmo com pouco tempo de tela, o personagem se torna icônico na sua representação de um mal oculto e talvez, sobrenatural. Suas conexões são sempre evidenciadas, dando ao longa um clima de indigestão ao longo de suas uma hora e quarenta minutos de duração.
Os personagens secundários também são interessantes e bem construídos, sempre auxiliando na criação da atmosfera sufocante que a obra nos traz. A trilha sonora merece um grande destaque, pois é um dos pontos mais altos. Ela intensifica e eleva o suspense e o medo de maneira quase insuportável, e mesmo quando sabemos que algo de ruim vai acontecer, somos surpreendidos e não conseguimos tirar os olhos da tela.

“Longlegs” é um filme que ficará marcado na memória dos amantes do terror. Cada cena traz uma sensação constante de desconforto, a direção de arte é impecável ao construir ambientes que parecem ser frutos de um pesadelo interminável, com espaços abertos que se tornam claustrofóbicos pelo ângulo da câmera, e paisagens desoladas que aumentam a sensação de isolamento. A fotografia fria e desbotada só aumenta o sentimento de decadência e morte em uma jornada sombria onde a verdade parece se tornar o principal perigo.
O ocultismo aqui é perfeitamente balanceado, desde o início há indícios de que forças sobrenaturais e rituais antigos estão em jogo, e a negação dos personagens em relação à essa suspeita cria uma sensação constante de inquietação. Os personagens se recusam a acreditar em forças sobrenaturais, e como esses indícios são sempre sutis, o público também espera que essas hipóteses não sejam verdadeiras. O suspense aqui é construído em cima disso de uma maneira intensa e sombria.

“Longlegs” é, até agora, o melhor terror do ano, sem exageros. O diretor opta pela autenticidade e não se apoia nos clichês conhecidos, e apesar de alguns furos no roteiro, a história é precisa no que quer retratar, com os três atos bem definidos e extremamente bem trabalhados na construção do horror psicológico.
Crítica por Pedro Gomes.

Longlegs: Vínculo Mortal | Longlegs
Canadá/Estados Unidos, 2024, 101 min.
Direção: Osgood Perkins (Oz Perkins)
Roteiro: Osgood Perkins (Oz Perkins)
Elenco: Maika Monroe, Nicolas Cage, Blair Underwood
Produção: Chris Ferguson, Nicolas Cage, Dan Kagan
Direção de Fotografia: Andres Arochi
Música: Elvis Perkins
Classificação: 18 anos
Distribuição: Diamond Films










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