Artigos VinosFilmes Artigos | Publicado em: 26/09/2019 Às 12:00 PM
Amo a Netflix, mas que saudades eu tenho das locadoras
João Quadros
Amo a Netflix, mas que saudades eu tenho das locadoras (Reprodução)

Vai ter gente me xingando. Eu sei. Como alguém ousaria dizer que sente falta de ter que sair do conforto de casa, se deslocar até uma locadora de filmes, passar um tempão olhando prateleira por prateleira e, no final, levar só 3 filmes para assistir no final de semana? Absurdo. 

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Calma, vou explicar. Primeiro, preciso dizer o seguinte:

Streaming, torrent, filme online… Tudo isso é ótimo. Aliás, mais que ótimo. Há alguns anos atrás, isso era um sonho. Filmes do mundo todo sempre que você quiser. Se hoje posso dizer que assisti títulos pra caramba, é graças a essa era online. 

Dito isso, vamos ao que sinto falta nas locadoras. 

Eu ainda era bem pimpolho quando saia de casa e caminhava até a locadora do meu bairro. No caminho, passava pela padaria – onde eu comprava um picolé – e por uma banca de revistas – onde olhava os quadrinhos.

Chegando lá, eu dava oi para o Roberto ou para a Priscila, que se revezavam no balcão. Eles me davam oi de volta, logo antes de dizer o meu nome também. Lá eu ficava pelo menos 1h, olhando caixa por caixa de filme. Desde a sessão do Sexta Feira 13 até os Teletubbies.

Eu adorava ficar olhando as capas. Uma mais bonita que a outra. Eu nem sabia ler direito, mas passava os olhos pela sinopse no verso também. A informação mais importante, minha mãe me ensinou a ler: LEG ou DUB. Hoje sou mais legendado, mas essa, obviamente, foi uma época dublada pra mim. 

Eu me divertia muito sentado no chão da locadora, com minha pilha de filmes de baixo do braço. Acho que eu gostava mais de escolher os filmes do que assistir necessariamente. Até porque, muitas vezes, eu não levava nenhum. O filme já acontecia na minha cabeça, imaginando os personagens que via nas capas e nos posters. 

Depois, era hora de escolher três. Não mais que isso. E eles tinham que caber nos R$ 10 reais que minha mãe me dava pra alugar. Lembro que, um dia, eles criaram uma carteirinha do “clube da locadora” que permitia você levar um filme a mais, às vezes. Eu, claro, consegui a minha rapidinho. 

Não era clicar num filme, assistir um pouco, não gostar e ir clicar em outro. Eram os meu filmes do final de semana, que eu fui pacientemente selecionar. Eu respeitava mais os filmes. Eu apreciava mais cada cena. Valorizava as histórias e personagens, por piores que fossem. Alugar um filme era uma experiência. Agora, é uma história de nostalgia.  

 

Ai, ai. Saudades. 

Vou parar por aqui porque o interfone tocou e minha pizza chegou. Só faltava isso para dar play na nova temporada de Mindhunter.

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