Artigos VinosFilmes Artigos | Publicado em: 22/07/2019 Às 5:17 PM
A maior polêmica da história do cinema
João Quadros
A maior polêmica da história do cinema (Reprodução)

Existem muitas polêmicas quando o assunto é a sétima arte: o melhor diretor, o melhor filme, o pior ator, a opção de roteiro mais adequada, se o Oscar foi justo ou não e etc.

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Hoje, vamos falar sobre a mais importante de todas, a maior polêmica da história do cinema. Uma questão tão complexa que é discutida há dezenas de anos por filósofos, grandes pensadores e comentaristas da internet, claro.

Passar entre as poltronas de bunda ou de virilha?

 

Você resolve ver um filme. Compra o ingresso. Fica na fila da pipoca. Equilibra saco de pipoca e copo de bebida até a sala. Sobe as escadas para sua fileira. E lá está ela, uma das maiores questões morais da humanidade. Uma escolha simples que diz tudo sobre você.

Achou exagero? Achou errado (otário).

Veja bem, o grande medo nessa situação é somente um: tropeçar e cair. Um movimento errado e você vira um filme de comédia, passa vergonha na frente de um plateia inteira. E são situações de perigo, de risco, como essa, que mostram quem nós realmente somos.

Nesse caso, você tem duas posições para poder ser um babaca ou uma pessoa razoável: quem passa e quem está sentado. Você sempre fará esses dois papéis, primeiro um e dois o outro. A forma como você age em cada um deles é que fala sobre você.

Bom, vamos começar por quem passa.

 

Entre as opções, passar de bunda é a mais impessoal. Você evita o contato visual e, ao mesmo tempo, aproveita para ver a tela enquanto se encaminha à sua poltrona, uma baita vantagem para quem chega atrasado.

Também é uma escolha tão fria que beira o má educação. Pensa bem, você tá com a bunda na cara de alguém. É como ter uma arma  carregada apontada para uma pessoa inocente. Perigosíssimo. Imagina você… Sei lá… Peidar? Que situação me merda. E é plenamente possível, já que sua atenção está em tudo, menos em segurar uma flatulência.

Pense se você cair, sentando, assim, no colo de alguém e criando um clima bem estranho? Ou pior, desabar o cu no nariz de um estranho? A impessoalidade tem dessas. Você está tão alienado à existência alheia que passa a ser um rolo compressor social.

A outra alternativa é passar de virilha.

 

Uma opção mais educada, afinal você pode cumprimentar, pedir licença e desculpas, se necessário. Além disso, ainda é um jeito mais fácil para você saber se já chegou na sua poltrona.

Os problemas desse método são, basicamente, quatro: o perigo eminente de derrubar pipoca ou refrigerante no colo dos seus vizinhos de poltrona; ter de lidar com cara feia de gente que está tendo a vista atrapalhada pela sua passagem; uma maior possibilidade de tropeço por conta da anatomia do pé, cuja a ponta se encontra com canelas nesta posição e, por fim, a falta completa e absoluta de pontos de apoio no caso de uma queda.

Falemos do futuro de todo mundo que passa de bunda ou de virilha: quem está sentado.

 

Depois de passar pela grande questão da vida, espera-se que a pessoa que se senta confortavelmente em sua poltrona se lembre dos perrengues de quem tem que passar. Obviamente isso não acontece.

Não sei se é um questão de pressão atmosférica que muda quando o ser humano se senta, afetando o cérebro, mas parece que, muitas vezes, a pessoa se torna um filho da puta sem coração.

Finge que nem notou o adulto de 1,70m e 80kg vindo em sua direção. Não mexe um milímetro a perninha para facilitar a passagem. Junto disso, por estar sentado, se sente no direito de fazer cara feia e às vezes até repreender verbalmente quem precisa atravessar.

Quem faz isso se esquece da situação de merda que é passar ali. Se esquece que quem está passando não tem outro caminho além daquele. Se esquece que ele mesmo esteve passando naquele mesmo lugar, naquela mesma situação. Não seja essa pessoa.

Para quem se perguntou qual a opção que eu escolho: de bunda.

 

Não totalmente de costas, mas com o torço virado para frente. Faço assim porque o pé tropeça menos, tenho uma boa visão de onde devo pisar e o melhor: posso me apoiar nas poltronas da fileira de baixo.

Dessa forma eu evito o contato pessoal – timidez é uma merda – e não sofro com maiores problemas. Quando sentado, tento ser o mais solícito possível, nunca se sabe quando a bexiga aperta e posso precisar da compaixão dos outros.

Independente de como você prefira passar, uma coisa todo mundo pode fazer igual: ser gente boa.

De qual lado dessa polêmica você está? Bunda ou virilha?

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